Sergipe tem primeira transexual mestre em Educação pela UFS


Aracaju, 27 de fevereiro de 2018

A sociedade brasileira ainda carece de conhecimento sobre a população LGBT, termo utilizado para representação das lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e dos transgêneros. Esse desconhecimento e o preconceito que vem com ele, historicamente, é o motivo para a exclusão dessa população de vários setores da sociedade, a exemplo da escola e, consequentemente, da academia. No entanto, essa realidade está começando a mudar.

 

Na Universidade Federal de Sergipe (UFS), 2018 é um ano histórico para essa luta. Na manhã da última segunda-feira, dia 26, Adriana Lohanna dos Santos, 32 anos, se tornou a primeira transexual sergipana a concluir um Mestrado pela instituição. “Nesse momento é muito importante, para mim, ser a primeira trans mestre em Educação aqui da Universidade Federal de Sergipe. As pessoas precisam saber que nós existimos e merecemos muito mais do que visibilidade, merecemos também respeito de toda a população”, declarou Adriana.

 

Até a defesa do trabalho de dissertação, foram dois anos de estudos e elaboração. Em sua dissertação, a mestre Adriana argumenta sobre as dificuldades e alternativas enfrentadas pelas pessoas trans dentro da UFS e faz análises a respeito das políticas públicas voltadas a população trans, já existentes no ambiente acadêmico. Para Lohanna, o momento agora é de pensar a real funcionalidade das políticas públicas do nosso país e de trabalhar com respeito à identidade de gênero em outros espaços e corredores da universidade.

 

“O eixo central de discussão das políticas públicas é a questão do nome social e o porquê que ele não é respeitado em sua integridade. Precisamos entender que a questão do nome social é respeitar o homem e a mulher trans como homens e mulheres e que isso não deve ficar só no diário de classe e na carteira estudantil, mas, também, no acesso ao banheiro, ao restaurante universitário, às políticas públicas da universidade, assim como à residência universitária”, contou Lohanna.

 

A tese de dissertação foi avaliada e aprovada por uma comissão julgadora, indicada pela coordenação do Programa de Pós-Graduação em Educação, composta pelos professores doutores Alfrancio Ferreira Dias, que atuou como orientador no processo de produção da tese; Maria Helena Santana e Rodrigo Dornelas, pertencentes à UFS; e o professor doutor Marcos Lopes de Souza, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

 

Mais sobre a professora mestre em Educação

Antes do mestrado em Educação, Adriana Lohanna já possuía graduação nos cursos de Serviço Social e Letras Português/Inglês, ambos cursados na Universidade Federal de Sergipe. É especialista em coordenação pedagógica, também pela UFS, e trabalha como professora.

 

Além disso, ela atua como militante e ativista do movimento LGBT, movimento trans e também do movimento relacionado aos direitos humanos. É ativista de esquerda, militante do Partido dos Trabalhadores (PT), para onde leva as discussões de gênero e identidade sexual. “É importante nós, como partido político, estarmos discutindo isso, porque o corpo ele é político. Então, simplesmente por existir como pessoa trans, nós temos um que determina para sociedade que a diversidade existe, que precisa ser respeitada”, avaliou a mestre em Educação.

 

Por Whagner Alcântara, sob a supervisão de Edjane Oliveira