Retirada de Dilma e salvação de Temer na Câmara foram ataques ao povo brasileiro, avalia João Daniel


Aracaju, 03 de agosto de 2017

 

 

No dia seguinte à sessão que livrou o presidente Michel Temer de ser processado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por crime de corrupção passiva, de acordo com a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o deputado federal João Daniel (PT/SE) afirmou que a maioria do plenário da Câmara mostrou que a retirada da presidenta Dilma Rousseff, naquela sessão do dia 17 de abril de 2016, nada tinha a ver com combate à corrupção. “A retirada da presidenta Dilma era para fazer as grandes reformas a serviço do capital, não era por conta de corrupção, não era por conta de popularidade que a presidenta não tinha, como alguns justificaram. Foi um ataque ao povo brasileiro”, avaliou, em discurso na Câmara nesta quinta-feira, dia 3.

 

O parlamentar disse que espera que, diante desse cenário, a esquerda brasileira e os movimentos voltem novamente às grandes mobilizações, exigindo a saída desse presidente e lutando por eleições diretas por um novo projeto para o Brasil. Em seu discurso, João Daniel, que votou “não” ao relatório do deputado Abi-Ackel (PSDB/MG), aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que pedia a não abertura de processo contra Temer, deixou registrada a opinião do eleitorado brasileiro sobre a votação de ontem, conforme apontou pesquisa feita pelo Ibope Inteligência e divulgada no dia anterior à votação.

 

Nela, 79% dos entrevistados concordaram com a frase “Acho que a denúncia é correta e o deputado que votar contra a abertura do processo é cúmplice da corrupção”. Realizada sob encomenda do Avaaz.org, a pesquisa apontou ainda que 81% dos entrevistados são favoráveis à aceitação da denúncia contra o presidente por parte dos deputados federais, o que leva o processo ao STF.

 

Além da frase “Acho que a denúncia é correta e o deputado que votar contra a abertura do processo é cúmplice da corrupção”, outra que teve elevado índice de aprovação entre os entrevistados pela pesquisa foi “O deputado que votar contra a abertura do processo não merece ser reeleito em 2018”, que registrou 73% de concordância. Outros 70% concordaram com a frase “Ficarei indignado se os deputados votarem contra a abertura do processo no STF”. “Portanto, essa é a visão da maioria do povo brasileiro, que não concorda com tudo isso que está acontecendo e que quer que as denúncias sejam apuradas, agora, e não quando deixar a Presidência da República”, disse João Daniel.

 

Votação

Ao votar “não” ao relatório, João Daniel ressaltou que estava sendo favorável à continuidade das investigações por crime de corrupção passiva contra Temer, conforme denúncia do procurador-geral. “Votamos a favor do povo sergipano e brasileiro. Votamos em favor daqueles que lutaram e deram a vida pela democracia, pela liberdade e por um país decente. Não ao relatório. Sim à investigação. Fora golpista, diretas já!”, disse o deputado João Daniel em seu voto. Por 263 votos contra a 227, o plenário aprovou o arquivamento da denúncia contra Michel Temer.

 

Por Edjane Oliveira, da Assessoria de Imprensa