Paraíso do Tuiuti: João Daniel registra publicação de artigo no Jornal da Cidade


Aracaju, 20 de fevereiro de 2018

 

Em pronunciamento feito, na tarde de hoje, dia 20, no plenário da Câmara, o deputado federal João Daniel (PT) destacou a publicação de um artigo, de sua autoria, no Jornal da Cidade, na edição do último final de semana. A publicação traz pensamentos do deputado em relação ao carnaval, em especial ao trabalho apresentado pelo Grêmio Recreativo Escola de Samba Paraíso do Tuiuti, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro.

 

Para João Daniel, o desfile realizado pela Paraíso do Tuiuti foi uma verdadeira aula de história, de cultura e protesto contra o atual governo e o atual modelo político de governabilidade. “O mundo inteiro teve o prazer de conhecer e ver, através do samba bonito, a importância do carnaval como festa popular e protesto feito, não só no Rio de Janeiro, mas no Brasil inteiro”, disse o deputado.

 

Com o enredo “Meu Deus, Meu Deus, está extinta a escravidão?”, a Tuiuti sagrou-se vice-campeã do carnaval carioca, um resultado histórico, nunca antes conseguido pela agremiação. Confira o artigo elaborado por João Daniel sobre esse feito:

 

 

Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?

 

Por João Daniel

 

O recado dado no desfile de domingo pela Escola de Samba Paraíso do Tuiuti, no Rio de Janeiro, foi melhor do que mil discursos que se faça contra o golpe no Brasil. Ali, diante de um público receptivo e de uma transmissão ao vivo da rede de comunicação mais manipuladora da opinião dos brasileiros, a Escola denunciou de uma só vez a situação do negro nas favelas, quilombos urbanos, e no mercado de trabalho, como também a situação de todo trabalhador brasileiro, vítima de uma reforma Trabalhista que torna legal o trabalho intermitente. Denunciava a tentativa de lideranças ruralistas que defendem o trabalho escravo e o utiliza em suas fazendas.

 

Foi também muito boa a forma com que denunciaram os “coxinhas”, os citados manifantoches que, manipulados pela mídia, ocuparam as ruas e apoiaram o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, golpeando também a nossa democracia, além de mostrarem da forma mais explícita possível a participação da FIESP no golpe, com seus patos amarelos que tomaram conta das cidades brasileiras em apoio ao impeachment.

 

Ao final apresentaram um presidente vampiro, já que estava com a faixa presidencial e cuja carapuça haveria de cair na cabeça de Temer, criticando o neoliberalismo e fazendo alusão ao neotumbeiros, referindo-se aos navios negreiros que transportavam os escravos em seus porões ou tumbas e os novos transportes reais ou políticos que fazem isso hoje.

 

Uma aula de cidadania em pleno sambódromo, um alerta a todos que pensam que podem fazer o que quiserem com o nosso povo e que não receberão o troco.

 

Uma vitória da arte, que soube demonstrar o sentimento de um povo que já não aguenta a forma de opressão em que está vivendo e se sente órfão, inclusive do Judiciário que poderia defendê-lo, embora se destaque a vitória conseguida no Supremo com a validação do Decreto 4.887 do Presidente Lula, determinando a autodenominação para as áreas quilombolas.

 

Com o tema “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, a Escola de Samba Paraíso do Tuiuti desfilou no Rio de Janeiro, na noite do último domingo, dia 11, e deu seu recado com muita irreverência e crítica social e política e nos chamou a uma reflexão: não podemos ficar calados diante das injustiças que estão sendo impostas ao povo pelo governo golpista de Temer, com a elite que o apoiou posando de democratas e bonzinhos e lançando candidatos que nada têm a ver com as aspirações e as necessidades dos brasileiros.

 

Foi campeã, pois deu uma aula de história como fazem os melhores historiadores. Foi a melhor, pois gritou a voz dos oprimidos, dos escravos, dos trabalhadores que perderam seus direitos. Foi a melhor, pois lavou a alma do povo brasileiro que teve seus 54 milhões de votos roubados por aqueles que fazem da política como negócio para suas empresas.

Tuiuti, obrigado por trazer para a avenida a voz de todos os trabalhadores e trabalhadoras, de todos os mártires da luta brasileira e mundial e a voz da juventude negra, a voz dos rebeldes que não aceitam as injustiças, valeu!

 

O morro terá vez e o nosso Brasil vencerá…