Na CCJ, João Daniel reafirma ser favorável à investigação de Michel Temer


Aracaju, 12 de junho de 2017

 

 

Ao se pronunciar na noite dessa quarta-feira, dia 12, na Comissão de Constituição Justiça e Cidadania da Câmara, durante sessão que analisa a admissibilidade da denúncia contra o presidente Michel Temer, o deputado federal João Daniel (PT/SE) destacou que o que ele e outros parlamentares, inclusive o relator, deputado Sérgio Zveiter, querem é autorizar que Temer seja investigado pela denúncia por crime de corrupção passiva. “O relatório tem nosso total apoio. O relator Sérgio Zveiter fez um relatório baseado em provas técnicas, mas também numa opinião pública nacional sobre o que expressa o povo brasileiro sobre o tamanho desse governo que nasceu de um golpe, não cresceu e morreu antes do tempo”, disse.

 

João Daniel disse que a cada dia que passa esse governo golpista está envolvido em mais e mais escândalos e tem como compromisso – a exemplo do que disse o senador Romero Jucá – barrar as investigações. “É o cronograma do golpe que vem sendo cumprido”, afirmou. O deputado parabenizou os procuradores federais e o procurador-geral, Rodrigo Janot, pelo conteúdo da denúncia apresentada.

 

De acordo com o deputado, agora se analisa um processo muito diferente daquele que foi julgado, injustamente, no dia 17 de abril de 2016, quando o plenário da Câmara autorizou o afastamento da presidenta Dilma Rousseff e, posteriormente, o Senado a afastou em definitivo. “Aquela situação é muito diferente do que estamos julgando hoje. Hoje estamos julgando alguém que tecnicamente há provas. E o que estamos fazendo nesse momento é apenas autorizar que esse procedimento de investigação seja feito pelo Supremo Tribunal Federal”, observou João Daniel.

 

Quanto à alegação de vários parlamentares da base de apoio ao atual governo de que não há provas contra essas acusações, o deputado disse que diante de tantas denúncias não há nada mais importante do que o presidente ser afastado, até para que se comprove se há ou não essas provas. “Nós e nosso partido jamais queremos a criminalização e a judicialização da política. Se ele não fez esse gesto de se afastar e convocar eleições diretas, que seria o gesto de um nacionalista, e pedir que fosse tudo apurado, então é preciso que esta Casa autorize a investigação e esta seja feita pelo STF”, disse, reafirmando ser favorável ao parecer apresentado pelo relator.

 

Acrescentando que, em sendo autorizado, esse processo vai julgar o presidente por crimes comuns, João Daniel disse que a história vai julgá-lo por outros processos. “Ao assumir o mandato por um golpe parlamentar, ele resolveu assumir a agenda dos setores conservadores, das grandes corporações”, disse, acrescentando que a maioria dos que hoje defendem Michel Temer é a mesma turma que elegeu Eduardo Cunha presidente da Câmara, que, junto com o então líder da oposição no Congresso, Aécio Neves, fez um pacto para inviabilizar o segundo governo da presidenta Dilma, desde sua reeleição, e rodou o país com o pato amarelo da Fiesp para aprofundar no Brasil os efeitos da crise econômica internacional para derrubá-la.

 

“Nosso país enfrenta uma das maiores crises políticas causada por uma oposição liderada por Aécio Neves e Eduardo Cunha, que ajudaram a aprofundar o desemprego, para criar as condições para a derrubada da presidenta Dilma”, afirmou. Segundo João Daniel, essa foi a forma que eles encontraram para realizar as “reformas” que rasgam a Constituição e a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). As consequências de tudo isso, apontou o deputado petista, são os cortes dos gastos públicos já sentidos pela população nas áreas da saúde, educação e segurança pública, tudo por conta da PEC 241/55, que congelou por 20 anos os investimentos públicos em setores essenciais.

 

“Esse governo criou essas PECs, ontem foi aprovada a Reforma Trabalhista no Senado e em tramitação tem a Reforma da Previdência”, elencou. João Daniel destacou ainda três fatos recentes que tem uma importância simbólica do que é este governo e o atual momento: a resistência das senadoras na sessão de votação da Reforma Trabalhista; o presidente do Senado, Eunício Oliveira, ter mandado cortar o fornecimento de energia e dito que elas seriam obrigadas a comer de marmita; e o ex-presidente Lula ser condenado pelo juiz de Curitiba. “Essa fala do presidente é uma referência do patronato ao trabalhador brasileiro e a condenação do Lula não é novidade para nós, mas é uma condenação totalmente política de alguém que quer justificar a vergonha dessa operação, com perseguição ao maior presidente do Brasil e o maior líder popular do país”, disse.

 

João Daniel encerrou seu discurso reafirmando ser favorável à investigação do presidente Michel Temer. “Somos favoráveis ao processo de investigação. Queremos que esta Comissão aprove esse parecer e o plenário decida também pela investigação”, afirmou.

 

Por Edjane Oliveira, da Assessoria de Imprensa