Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?*


Aracaju, 16 de fevereiro de 2018

O recado dado no desfile de domingo pela Escola de Samba Paraíso do Tuiuti, no Rio de Janeiro, foi melhor do que mil discursos que se faça contra o golpe no Brasil. Ali, diante de um público receptivo e de uma transmissão ao vivo da rede de comunicação mais manipuladora da opinião dos brasileiros, a Escola denunciou de uma só vez a situação do negro nas favelas, quilombos urbanos, e no mercado de trabalho, como também a situação de todo trabalhador brasileiro, vítima de uma reforma Trabalhista que torna legal o trabalho intermitente. Denunciava a tentativa de lideranças ruralistas que defendem o trabalho escravo e o utiliza em suas fazendas.

 

Foi também muito boa a forma com que denunciaram os “coxinhas”, os citados manifantoches que, manipulados pela mídia, ocuparam as ruas e apoiaram o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, golpeando também a nossa democracia, além de mostrarem da forma mais explícita possível a participação da FIESP no golpe, com seus patos amarelos que tomaram conta das cidades brasileiras em apoio ao impeachment.

 

Ao final apresentaram um presidente vampiro, já que estava com a faixa presidencial e cuja carapuça haveria de cair na cabeça de Temer, criticando o neoliberalismo e fazendo alusão ao neotumbeiros, referindo-se aos navios negreiros que transportavam os escravos em seus porões ou tumbas e os novos transportes reais ou políticos que fazem isso hoje.

 

Uma aula de cidadania em pleno sambódromo, um alerta a todos que pensam que podem fazer o que quiserem com o nosso povo e que não receberão o troco.

Uma vitória da arte, que soube demonstrar o sentimento de um povo que já não aguenta a forma de opressão em que está vivendo e se sente órfão, inclusive do Judiciário que poderia defendê-lo, embora se destaque a vitória conseguida no Supremo com a validação do Decreto 4.887 do Presidente Lula, determinando a autodenominação para as áreas quilombolas.

 

Com o tema “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, a Escola de Samba Paraíso do Tuiuti desfilou no Rio de Janeiro, na noite do último domingo, dia 11, e deu seu recado com muita irreverência e crítica social e política e nos chamou a uma reflexão: não podemos ficar calados diante das injustiças que estão sendo impostas ao povo pelo governo golpista de Temer, com a elite que o apoiou posando de democratas e bonzinhos e lançando candidatos que nada têm a ver com as aspirações e as necessidades dos brasileiros.

 

Foi campeã, pois deu uma aula de história como fazem os melhores historiadores. Foi a melhor, pois gritou a voz dos oprimidos, dos escravos, dos trabalhadores que perderam seus direitos. Foi a melhor, pois lavou a alma do povo brasileiro que teve seus 54 milhões de votos roubados por aqueles que fazem da política como negócio para suas empresas.

 

Tuiuti, obrigado por trazer para a avenida a voz de todos os trabalhadores e trabalhadoras, de todos os mártires da luta brasileira e mundial e a voz da juventude negra, a voz dos rebeldes que não aceitam as injustiças, valeu!

 

O morro terá vez e o nosso Brasil vencerá…

 

*Artigo do deputado federal João Daniel (PT/SE)

Foto: Severino Silva/Jornal O Dia