João Lula Daniel destaca os 38 anos do Jornal Sem Terra e a carta do MST ao povo brasileiro


 

Aracaju, 16 de maio de 2018

 

 

Em atividade na Câmara Federal, o deputado federal João Lula Daniel (PT) registrou, no início da tarde de hoje, os 38 anos de atividade do Jornal Sem Terra, criado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no ano de 1980, quando era apenas um boletim informativo de uso interno. O boletim vira jornal no ano de 1984 com o processo de consolidação e nacionalização do MST. Neste momento, o jornal surge como uma ferramenta importante de articulação e formação política da classe trabalhadora brasileira.

 

Em seu pronunciamento, João Lula Daniel destacou a importância do jornal, em suas mais de 40 edições, para a militância progressista e de luta. “A comunicação do MST é uma ação política, fruto tanto da organização do Movimento que serve como elemento de formação e crítica de seus militantes ao longo de nossa trajetória histórica. Há mais de três décadas o Jornal Sem Terra contribui para a organização do Movimento e para a consciência crítica dos seus militantes. Ganhou prêmios e menções honrosas, entre eles a edição do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia dos Direitos Humanos, um dos mais importantes do país”, disse Daniel.

 

Aproveitando a oportunidade, o deputado destacou, também, a carta aberta ao povo brasileiro divulgada pelo MST nacional, que faz uma análise da situação de crise econômica, política, social e ambiental do Brasil e apela para a intensificação da luta do povo em defesa da democracia e dos direitos do presidente Lula, a quem o MST declara total apoio. A carta ainda lembra o caso Marielle, que foi assassinada no Rio de Janeiro, e exige solução e justiça para este e vários outros casos de repressão.

 

Leia a carta na íntegra

 

(CARTA DO MST AO POVO BRASILEIRO)

 

O Brasil vive uma profunda crise econômica, política, social e ambiental, resultante da crise internacional do capitalismo e da própria incapacidade deste sistema em solucionar as contradições que gera. Neste contexto, as saídas autoritárias, como os golpes e ataques à democracia, tem sido a fórmula adotada para garantir uma violenta ofensiva neoliberal, que retira direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, ao mesmo tempo em que sequestra e subordina o Estado aos interesses de grandes grupos empresariais.

 

É necessário ter clareza e identificar quem são os responsáveis por esta crise e pela instabilidade política em que vivemos para enfrentá-los: o Capital financeiro internacional; os veículos de comunicação, em especial a Rede Globo, que alimentaram e insuflaram os movimentos golpistas e fascistas; e o poder Judiciário, que por um lado, coloca os seus interesses e privilégios acima da Constituição, e por outro, premia com a impunidade toda repressão e violência contra os pobres.

 

Este momento exige das forças progressistas unidade na ação e esforço em construir um Projeto Popular para o Brasil, capaz de enfrentar os problemas estruturais de nosso país, combatendo a miséria e o desemprego; retomando o desenvolvimento; enfrentando a questão habitacional e a mobilidade urbana nas cidades; garantindo saúde e educação públicas e de qualidade; realizando a reforma agrária no campo; protegendo os bens comuns da natureza e impedindo sua privatização; e, recuperando a soberania nacional.

 

Por isso, convocamos o conjunto da sociedade para construir e participar do Congresso do Povo Brasileiro, organizado pela Frente Brasil Popular, para que seja este espaço de discussão e organização em torno dos problemas do país e das medidas estruturais necessárias para superá-las.

 

Também reafirmamos nossa convicção na inocência do Presidente Lula, defendemos seu direito de concorrer às eleições presidenciais e, diante desta prisão política resultado de um processo ilegal e ilegítimo, exigimos sua liberdade!

 

Por todas essas razões, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, vem a público declarar o apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, por entender que ela representa a luta contra o golpe e os desejos do povo brasileiro por mudanças nesse cenário de crise que assola a todos nós.

 

Não deixaremos esquecer, nem compactuaremos com a impunidade e por isso exigimos a solução e a justiça para os assassinato de nossa companheira Marielle, assim como de tantos jovens pobres vítimas das repressão. Que seu exemplo em vida continue inspirando os jovens, as mulheres e os trabalhadores e trabalhadoras nestes tempos de repressão e autoritarismo. Em sua memória, nenhum momento de silêncio, mas o compromisso e a luta das trabalhadoras e dos trabalhadores rurais Sem Terras contra o golpe, contra a retirada de direitos e da liberdade, por um país mais justo, igualitário e soberano!        

 

Lula Livre! Marielle Vive!

 

Lutar, Construir Reforma Agrária Popular!

 

Direção Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

 

São Paulo, 12 de maio de 2018

 

Por Whagner Alcântara