João Lula Daniel destaca luta dos povos indígenas reunidos em Acampamento


Aracaju, 26 de abril de 2018

 

 

Acontece em Brasília, desde a última segunda-feira, dia 23, o 15º Acampamento Terra Livre, um ato organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), que recebe, todos os anos, delegações de mais de 100 povos oriundos de todas as regiões do país. Na manhã de hoje, dia 26, o deputado federal João Lula Daniel (PT/SE) aproveitou o plenário da Câmara Federal para, não só registrar o evento, mas também ressaltar a importância da sua realização para a garantia dos direitos originários dos nossos povos.

 

Em seu discurso, João Lula Daniel parabenizou a todos os povos indígenas envolvidos no ato e destacou alguns nomes importantes da luta pelas causas indígenas. “Parabéns aos povos indígenas do Brasil, parabéns a todos que lutam e defendem a demarcação das terras indígenas, em nome do povo Xocó, povo lutador sergipano que representa uma luta histórica de retomada da terra no Estado de Sergipe, em nome de Lindomar, em nome do Cacique Bá, em nome de todos os povos indígenas, dos quais mais de 3 mil representantes se encontram no acampamento aqui em Brasília, que enfrentam um governo difícil”, disse o deputado.

 

Esta edição do Terra Livre traz o tema “Unificar as lutas em defesa do Brasil Indígena” para levantar o debate e provocar a reivindicação sobre o processo de estagnação da demarcação das terras indígenas no Brasil. A Apib aponta como um dos principais ataques impostos pelo governo ilegítimo aos direitos indígenas o Parecer 001/20017 da Advocacia-Geral da União (AGU), que aplica às demarcações, entre outros pontos, a tese do Marco Temporal, em que os povos indígenas só teriam direito às terras ocupadas em 5 de outubro de 1988, data de promulgação da Constituição.

 

Para João Daniel, o acampamento é mais um foco de resistência aos ataques do Governo Temer contra os direitos do nosso povo. O deputado acredita que só a mobilização pode trazer soluções para os problemas e manter viva a cultura dos povos de todo o Brasil. “O governo está proporcionando a falência total da política indigenista, a paralisação total das demarcações só vem comprovar essa falência. Com isso os territórios sofrem com esses impactos dos empreendimentos e do agronegócio. As consequências aparecem no modo de viver, na alimentação e nas crianças e no futuro desses brasileiros”, frisou.

 

Por fim, o parlamentar salientou a necessidade de continuar com a luta pelo processo de demarcação, contra o desmatamento, a violência e o aumento do garimpo nas terras indígenas. “A luta continua. Como diz o profeta e querido grande Bispo do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga, não haverá justiça neste país sem antes resolvermos a demarcação das terras indígenas e sem que haja o reconhecimento às comunidades quilombolas e uma grande reforma agrária neste país”, finalizou.

 

Por Whagner Alcântara, sob supervisão de Edjane Oliveira

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil