João Daniel questiona proibição no acesso à CPI Incra/Funai


Aracaju, 10 de maio de 2017

 

 

Marcado para ser votado nessa quarta-feira, dia 10, o relatório final da CPI Incra/Funai não foi apreciado pelos integrantes da comissão na sessão de hoje. O deputado federal João Daniel (PT/SE), integrante da CPI, lamentou o bloqueio no acesso aos representantes de entidades e até advogados que queriam acompanhar a sessão que iria aprovar ou rejeitar o relatório. Essa manobra foi denunciada pelo parlamentar em discurso na sessão da Câmara. Somente na próxima semana a Comissão volta a se reunir.

 

“Nós lamentamos, inclusive, que na manhã de hoje, quando foi marcada essa reunião não aconteceu e foi proibida a entrada na sala de comissões de todos os representantes de entidades e advogados para acompanharem a aprovação ou não do relatório”, disse, citando entre as pessoas impedidas o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cézar Britto, entre outras.

 

O deputado João Daniel lembrou que a Câmara é um espaço democrático e de debates. “Não se pode fechar todos os auditórios, os plenários para que representantes de entidades acompanhem os debates. Em seu discurso, o parlamentar petista também lamentou o teor do relatório final da CPI Incra/Funai, que pediu o indiciamento de mais de 120 pessoas, entre eles representantes de entidades, procuradores, desembargadores.

 

“É uma vergonha. Ele é favorável aos grandes latifundiários, aos grileiros, quer indiciar procuradores da República, desembargadores, funcionários públicos. Ele é a vergonha desta Casa, é a representação mais contundente do latifúndio e da violência no campo. Mas nós o enfrentaremos, denunciando em plenário, no Brasil e no mundo inteiro, para continuar defendendo os índios e os povos do campo”, afirmou.

 

João Daniel ressaltou que os grandes latifundiários, liderados pela bancada ruralista, não querem nenhuma legislação que defenda o trabalhador do campo, indígenas e quilombolas, não querem entidades defensoras de indígenas e comunidades tradicionais atuantes, mas querem, por exemplo, uma Funai enfraquecida, com funcionários desestimulados ou perseguir os servidores que têm compromisso.

 

Por Edjane Oliveira, da Assessoria de Imprensa

Foto: Geraldo Bezerra