João Daniel quer que Petrobras abra contas do prejuízo alegado para fechamento da Fafen


 

Aracaju, 10 de abril de 2018

 

 

Os prejuízos decorrentes de um possível fechamento das unidades da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) em Sergipe e na Bahia, como anunciou a Petrobras, foram tratados durante Comissão Geral realizada, na manhã desta terça-feira, dia 10, no plenário da Câmara dos Deputados. O deputado federal João Daniel (PT/SE), um dos parlamentares que assinaram o requerimento para a realização desse debate, voltou a ressaltar a necessidade de que se haja transparência nos cálculos da estatal que alega um suposto prejuízo financeiro ocorrido no ano passado, no caso da unidade em Sergipe, no valor de R$ 600 milhões.

 

Segundo João Daniel, a Petrobras não tem coragem de abrir as contas e explicitar os problemas que levaram ao prejuízo. “O governo federal preparou apenas os desinvestimentos, que são a entrega e privatização das empresas estatais estratégicas, e a Fafen aparece com um prejuízo de R$ 600 milhões, mas eles não têm coragem de abrir as contas e dizer qual é o problema”, argumentou o parlamentar, ao defender a necessidade da abertura dessas contas, para que haja transparência e, se houver motivos para esse prejuízo, seja buscada uma solução.

 

Em seu discurso, ele disse que na segunda-feira teve a oportunidade de se reunir com ex-diretor e sindicalistas aposentados que ajudaram fundar a Fafen para debater mais sobre essa situação e todas as consequências de um fechamento ou privatização da empresa que hoje produz fertilizantes nitrogenados como ureia e amônia. O deputado João Daniel lembrou que o ano de 2017 ao qual a Petrobras, através do presidente Pedro Parente, coloca a existência de um prejuízo no montante de R$ 600 milhões, a Fafen/SE, como todas as empresas, passa, após determinado tempo, por um período de parada para manutenção. “E em 2017 foram 97 dias sem funcionar. E por que foi esse tempo, por que o gás que é utilizado na produção dos fertilizantes está nesse valor, quem aumentou, quem está lucrando com o gás? São alguns questionamentos que temos que precisam ser respondidos”, colocou.

 

Vereador Petrônio de Pacatuba e Cacau, do MST, acompanharam a Comissão Geral

Na avaliação do parlamentar, a Fafen Sergipe e Bahia não pode ser hibernada, não pode ser fechada. Para João Daniel, a questão é principal a ser analisada nesse momento é qual é o projeto nacional que o país está vivendo e pensa em construir, o que foi pensado pelos governos nacionalistas, que fundaram a Petrobras e os governos Lula e Dilma que não olhavam a Fafen como prejuízo, mas como empresa que precisava de investimento, “e que precisa estar dentro do projeto nacional que é fertilizante para a produção de alimentos para o povo, que não são produzidos pelo agronegócio, mas pela agricultura familiar”, completou.

 

Denúncia

Durante a audiência, o deputado João Daniel fez uma denúncia que precisa ser apurada e observada com muita preocupação, de que ainda agora no mês de abril, na próxima assembleia dos acionistas da Petrobras, está sendo articulada a inclusão do representante da Shell no Conselho Administrativo da estatal. “É uma vergonha nacional! Enquanto os outros países se fecham para proteger suas empresas, aqui nós entregamos como se nada valessem. Em defesa das Fafens, dos petroleiros e de todos os trabalhadores, para impedirmos a entrega das empresas estatais, seguiremos unidos”, disse.

 

Na ocasião, João Daniel acrescentou que, em Sergipe, uma das empresas importantes na produção de fertilizantes, a Vale, foi privatizada durante o governo Fernando Henrique Cardoso e recentemente foi vendida para a multinacional norteamericana Mosaic, que se comprometeu, ao chegar ao estado, em não demitir funcionários. No entanto, nos primeiros 30 de administração o saldo já era de mais de 80 demissões. “Gostaria de deixar registrado nosso posicionamento e parabenizar a Assembleia Legislativa (onde há duas semanas foi realizada audiência pública para debater esse tema), todos os parlamentares, o governador Belivaldo Chagas, o ex-governador Jackson Barreto, que participou das negociações junto com as bancadas dos dois estados visando encontrar uma solução par ao não fechamento. “É momento de unirmos todas as forças para impedir esse retrocesso e desmonte desse governo golpista”, finalizou João Daniel.

 

A comissão Geral contou com participação de representante do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro), da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), da Federação Única dos Petroleiros (FUP), do vereador do município de Pacatuba, Petrônio Silva, Carlos Alberto de Souza Passos, o Cacau da direção do MST, entre outros.

 

Por Edjane Oliveira, da Assessoria de Imprensa

Fotos: Thiago Dhatt