João Daniel participa de 15ª Marcha dos Trabalhadores Rurais em Sergipe e diz que o povo precisa estar nas ruas para a retomada da democracia


Aracaju, 25 de julho de 2017

 

 

Junto com cerca de 10 mil homens e mulheres do campo, o deputado federal João Daniel (PT/SE) participou da Marcha Estadual dos Trabalhadores Rurais, realizada nessa terça-feira, para marcar o dia 25 de julho, data dedicada a eles. Em sua 15ª edição, o ato realizado em Aracaju teve a participação de assentados e acampados de municípios de todas as regiões de Sergipe e contou com a presença do coordenador Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile. A marcha, organizada pelo MST, reivindicou a retomada da reforma agrária, paralisada há 13 meses, além cobrar a saída do presidente Michel Temer e realização de eleições diretas para sucedê-lo.

 

Este ano, a marcha saiu da praça Ronaldo Calumby, no conjunto Tiradentes, e seguiu até a sede do Incra, onde famílias que estão acampadas na Fazenda Junco, em Macambira, haviam ocupado o Instituto desde as primeiras horas da manhã, para reivindicar um posicionamento do Incra para a aquisição da referida fazenda para o assentamento das cerca de 200 famílias que lá vivem. Atualmente, em Sergipe, em torno de 8 mil famílias se encontram acampadas, esperando serem assentadas. Outras 12 mil famílias foram assentadas no estado nas últimas três décadas.

 

Após o almoço, os trabalhadores rurais seguiram em marcha pelas ruas de Aracaju até o Centro da capital, onde, na praça General Valadão, foi realizado um ato com a Frente Sergipana Brasil Popular, contra as reformas impostas por esse governo, pela realização de eleições diretas para presidente da República e em solidariedade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vítima de perseguição política no país.

 

O deputado federal João Daniel destacou a importância desse ato, especialmente no momento de retrocessos que vive o Brasil, nos últimos 13 meses, quando foram inviabilizadas todas as políticas voltadas para a reforma agrária. Entre elas, listou a extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), a paralisação da reforma agrária, sem a desapropriação de novas áreas para assentamentos, além da suspensão da assistência técnica para os assentados e outras políticas, bem como a adoção de medidas que vêm prejudicar a política agrária, como a Medida Provisória 759, sob a alegação da regularização fundiária. Por isso estamos aqui, mais um ano, desta vez na 15ª Marcha feita pelo MST e companheiros aliados, em defesa da reforma agrária e dos trabalhadoras e trabalhadores rurais”, disse.

 

Período perigoso

Na avaliação dele, o momento em que vive o país exige firmeza de todos, lideranças e militância. “Vivemos um período perigoso. Quebraram as regras legais, inventaram um crime para retirar à força a presidenta Dilma Rousseff, mas o objetivo não era apenas tirá-la, mas fazer isso que estão fazendo”, observou. Para João Daniel, aqui em Sergipe, a Frente Brasil Popular, centrais sindicais e movimentos sociais mostraram força e, se os demais estados tivessem feito o trabalho como o realizado aqui, a reforma Trabalhista não teria passado, diante da sua repercussão das mobilizações perante os parlamentares. “Precisamos estar nas ruas, porque o tempo está passando. Eles chegaram ao ponto da rejeição e agora não há outro caminho para retomar nosso país que não sejam através de eleições diretas”, afirmou.

 

Para o coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile, o país vive uma situação política complexa, porque muitos fatores estão influenciando a vida do povo brasileiro. Segundo ele, houve um golpe em que a burguesia tomou de assalto o governo federal para jogar todo peso da crise econômica sobre as costas da classe trabalhadora e depois que Michel Temer e seus aliados assumiram o poder toda semana tomam uma medida contra os trabalhadores. “Durante o ano passado, o povo ficou quieto porque não tinha se dado conta de que o golpe era contra o povo e não só sobre a Dilma. Mas desse ano para cá eu acho que já está descobrindo que o governo golpista está tomando medidas contra o povo e por isso assistimos ao longo desse ano várias mobilizações da população para tentarmos enfrentar o governo e tentarmos barrar suas reformas”, avaliou Stédile.

 

No entanto, para ele, apesar desse despertar, ainda não há forças para derrubar este governo, embora ele esteja cada vez mais fragilizado. Prova disso são as pesquisas divulgadas essa semana que apontam o governo Michel Temer com um índice recorde de rejeição de 94%. Usando a metáfora do futebol, o coordenador Nacional do MST disse que estamos numa situação de equilíbrio, com partidas ganhas para ambos os lados e alguns empates.

 

“Nem o governo consegue impor tudo que ele quer fazer contra nós – porque, inclusive, a burguesia está dividida e o governo Temer pode cair de fato dia 2 de agosto –, nem nós temos ainda força suficiente para fazer grandes mobilizações de massa como foi na década de 80 o movimento das “Diretas Já”. Mas o povo já está conseguindo se dar conta. E se o governo ousar colocar em votação a Reforma da Previdência, que pega todo povo brasileiro, teremos uma grande greve geral de paralisar todo país”, ressaltou Stédile.

 

Por Edjane Oliveira, da Assessoria de Imprensa

Fotos: Márcio Garcez