João Daniel lamenta prorrogação da CPI Funai/Incra que tenta criminalizar movimentos sociais


Aracaju, 23 de março de 2017

 

A prorrogação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) foi aprovada por 236 votos favoráveis no plenário da Câmara nesta quarta-feira, dia 23. O deputado federal João Daniel lamentou a aprovação por entender que essa CPI representa o que há de mais atrasado, defende interesse de grileiros de terras e persegue lideranças que atuam na defesa de indígenas e da reforma agrária. Apenas 34 parlamentares votaram contrários à prorrogação. Agora, a CPI poderá funcionar por mais 60 dias.

 

O deputado João Daniel chegou a apelar em plenário que os colegas não votassem a favor do pedido de prorrogação, por não encontrar nenhuma justificativa para isso. João Daniel explicou que a primeira CPI não concluiu nada, porque não tinha objetivo de concluir nada, “a não ser o de levar a violência ao campo, defender grilagem de terra, perseguir e massacrar aqueles que têm defendido, ao longo da história do Brasil, os povos indígenas, como fez com uma das entidades mais sérias e respeitadas internacionalmente que é o Conselho Indigenista Missionário, que faz um trabalho e que tem história”, disse, referindo-se aos missionários e missionárias que dedicaram suas vidas à defesa dos povos indígenas e dos mais pobres deste país.
Ele parabenizou todos os deputados e deputadas que estiveram nessa CPI em defesa dos povos indígenas, dos povos quilombolas e das entidades ligadas aos indígenas, que, infelizmente, durante a primeira CPI e esta segunda, não tiveram voz, pois sequer foram aprovados os requerimentos. “Nesta CPI, para a qual hoje se pede a prorrogação, nenhum requerimento dos deputados e deputadas que defendem os povos indígenas, de denúncias graves feitas pela Polícia Federal, foi aprovado”, denunciou.
Ele disse que a bancada ruralista na CPI poderia estar aprovando uma CPI para apurar as denúncias da operação Carne Fraca, que vem ameaçando a economia e os empregos no setor, mas não quer. “Não é isso que estamos debatendo aqui. Não é uma CPI para apurar essas graves denúncias feitas pela Polícia Federal baseadas em informações que envolvem inclusive o ministro da Justiça”, disse, lembrando que esse ministro já esteve, por várias vezes, envolvido em depoimentos e informações contra os povos indígenas, e é a favor desta CPI.
Para o deputado João Daniel, a prorrogação dessa CPI envergonha a Casa. “Esta CPI é uma vergonha para o Parlamento brasileiro. Esta CPI está denunciada internacionalmente. Ela não quer apurar nada. Ela quer defender a grilagem de terra, a violência no campo, o assassinato e o extermínio dos povos indígenas. Esta CPI é uma ameaça aos direitos humanos”, afirmou, ao prestar solidariedade a todas as entidades, missionários e os lutadores que foram perseguidos por parte da bancada ruralista interessada em manter o poder como dono das terras.

 

Por Edjane Oliveira, da Assessoria de Imprensa