João Daniel lamenta avanço da violência e diz que país não pode viver um estado de exceção


Aracaju, 21 de junho de 2017

 

 

Ao relatar diversos casos de agressão ocorridos pelo país nos últimos dias, o deputado federal João Daniel (PT/SE) lamentou o avanço da violência, especialmente contra movimentos sociais, indígenas e até mesmo parlamentares. Ele citou o caso do deputado estadual do Rio Grande do Sul, Jeferson Fernandes (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa daquele estado, que na semana passada, quando participava de uma assembleia de uma ocupação por moradia, foi preso e agredido por policiais militares.

 

Para João Daniel, esta foi uma ação que agrediu a Assembleia do Rio Grande do Sul, uma violência que não se pode admitir. Em pronunciamento feito na sessão desta quarta-feira, dia 21, na Câmara, o deputado parabenizou os movimentos sociais e entidades que realizaram, na última segunda-feira, dia 19, no Pará, de um grande ato de solidariedade, em defesa da vida e contra a violência e massacres que têm acontecido, a exemplo do ocorrido em Pau d’Arco, quando dez trabalhadores foram brutalmente assassinados.

 

De acordo com o parlamentar, são casos e mais casos de violência que se multiplicam no país, intensificados, segundo ele, depois do dia 17 de abril do ano passado, quando a presidenta Dilma Rousseff foi retirada da Presidência da República. Para João Daniel, o Brasil não pode estar vivendo esse estado de exceção. “É preciso que os governantes de todas as esferas saibam que a democracia é uma conquista do povo brasileiro e não podemos aceitar violência em local nenhum desse país”, afirmou.

 

Indígenas

Pela manhã, o deputado participou de reunião da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados – da qual é membro –, que teve a participação de jovens indígenas da etnia Guarani-Kaiowá que foram denunciaram situações de violência que têm vivido e cobraram do governo federal e do Congresso que seja respeitado o direito dos povos indígenas no que se refere à terra e o fim da violência. Segundo João Daniel, foram ouvidas denúncias gravíssimas sobre a omissão do Estado brasileiro, pois acompanha e nada tem feito contra o que vem sendo praticado contra os indígenas. “Ouvimos denúncias, inclusive de hospitais da região em que índios são internados com qualquer tipo de doenças e saem mortos e com órgãos retirados, além de massacres”, disse, acrescentando que os Guarani-Kaiowá têm sua solidariedade, mas é preciso que a Câmara também dê total apoio.

 

Comissão de Direitos Humanos debateu a repressão policial nas manifestações pelo Brasil

Também na Comissão de Direitos Humanos, na tarde desta quarta-feira foi realizada reunião para tratar sobre a violência policial nas manifestações, com representantes de várias partes do país. O deputado João Daniel lamentou que seja necessário realizar uma audiência para tratar esse tema. Ele relatou que tem participado de todas as manifestações que têm acontecido, especificamente em Brasília, e tem visto a repressão por parte da Polícia Militar e Polícia Legislativa.

 

O parlamentar citou como exemplo o ocorrido no dia 24 último, durante o Ocupa Brasília, quando ele e outros parlamentares foram impedidos de sair da frente da Câmara, sob a alegação de que não havia segurança e durante a manifestação presenciaram agressões com gás, bala de borracha e puderam ver as vítimas da ação repressora policial. João Daniel também lamentou a repressão usada pela presidência tanto da Câmara quanto do Senado para impedir o acesso da população às duas Casas, principalmente quando há votações especiais.

 

Por Edjane Oliveira, da Assessoria de Imprensa

Fotos: Thiago Dhatt