João Daniel alerta para possibilidade de demissões em massa na antiga Vale


Aracaju, 28 de fevereiro de 2018

 

 

 

O deputado federal João Daniel (PT/SE), durante discurso realizado na Câmara na sessão desta quarta-feira, dia 28, externou sua preocupação com a possibilidade de demissão de trabalhadores da antiga Vale Fertilizantes, em Sergipe. A empresa recentemente passou a ser controlada pela multinacional norteamericana Mosaic. Em outras unidades da empresa no Brasil, trabalhadores já foram dispensados, dentro do plano do seu “reestruturação”.

 

Esta semana, o parlamentar esteve reunido com dirigentes do Sindicato dos Mineiros de Sergipe (Sindimina/SE) – Álvaro Alves, presidente, e José Luismar de Sousa, tesoureiro – que levaram a preocupação com esse processo de reestruturação que a Mosaic quer implementar na unidade aqui no estado, especialmente nesse momento histórico que vive o país no que tange ao desemprego. Em seu discurso, como já havia garantido aos dirigentes do Sindimina, João Daniel afirmou que vai acompanhar de perto essa questão, através da Comissão de Agricultura da Câmara e também do movimento sindical.

 

“Essa grande multinacional americana comprou a Vale Fertilizantes, englobando todas as unidades do país, entre elas a nossa antiga Petromisa, e agora a Mosaic tem o controle de grande parte da produção de fertilizantes no país”, observou. Em Sergipe, a empresa assumiu a unidade no início do mês de janeiro e, acrescentou João Daniel, logo a primeira notícia para o sindicato foi a reestruturação, que virá com demissões, com a justificativa do cenário econômico que vive o país.

 

Riqueza natural

De acordo o deputado petista, as minas, hoje da Mosaic em Sergipe, guardam uma riqueza natural do Estado e hoje, por conta de governos entreguistas como este, disse ele, está sob o controle de multinacionais que utilizam essa riqueza apenas para lucro. Segundo informações do Sindimina, a empresa em Sergipe conta hoje com 850 funcionários diretos e mais de mil de empresas terceirizadas que prestam serviço. João Daniel acrescentou que esses quase dois mil trabalhadores estão preocupados, assim como o sindicato.

 

“Num momento de desemprego, a notícia desta empresa é que iniciará as demissões. Portanto, acompanharemos, através da Comissão de Agricultura e do movimento sindical, essa situação. Queremos que esta empresa respeite o sindicato e que possamos exigir que ela continue com os investimentos que estavam previstos e anunciados e que não haja demissões, mas, sim, o fortalecimento da empresa e a permanência de todos os funcionários, trabalhando e produzindo”, disse João Daniel.

 

João Daniel em reunião com dirigentes do Sindimina, que levaram preocupação com demissões

Demissões

Segundo informações do Sindimina, nas unidades em que vem controlando no Brasil, a Mosaic tem promovido muitas demissões. Na de Uberaba (MG), são 230 demissões. Já na de Araxá, também em Minas, outros 500 desligamentos. Na unidade de Patos de Mina eram 80 trabalhadores e 49 foram demitidos. Nas unidades Cajati e Catalão há ameaça de demissões de mais de 50% do contingente atual. Em Sergipe, o Sindimina ressalta que a empresa sinaliza mais de 400 demissões, sendo iniciado esse processo já agora em março, quando demitiriam entre 60% a 80% dos 150 trabalhadores que seriam dispensados inicialmente. Vale ressaltar que o impacto dessa reestruturação proposta pela Mosaic atingiria não só os trabalhadores efetivo, pois a estimativa é que para cada funcionário próprio demitido, um terceirizado também indiretamente sofrerá com a essa situação.

 

Com sede em Minnesota, nos Estados Unidos, a Mosaic possui operações na Austrália, Brasil, Canadá, China, EUA, Índia, Paraguai, Peru e Arábia Saudita e a cada dia vem consolidando sua presença no Brasil, onde já atua em dez estados, com 12 unidades de produção próprias e sete contratadas, além de seis minas de fosfato e uma de potássio. Favorecida pela reforma Trabalhista recém-implantada no Brasil, a empresa, segundo os sindicalistas, vem impondo aos trabalhadores que escapam dos desligamentos uma política salarial e de recursos humanos caracterizada pelo arrocho salarial e corte de direitos e vantagens conquistados ao longo dos anos e fruto de muita luta.

 

Por Edjane Oliveira, da Assessoria de Imprensa