Em defesa da Venezuela, João Daniel destaca artigo escrito por João Pedro Stédile


 

Aracaju, 21 de fevereiro de 2018

 

 

Na tarde desta quinta-feira, dia 21, o deputado federal João Daniel (PT), em atividade no plenário da Câmara Federal, fez menção ao artigo escrito pelo coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Via Campesina Brasil, João Pedro Stédile. No artigo, Stédile dialoga sobre as mentiras que têm sido contadas a respeito da Venezuela no Brasil. Para ele, o que está em jogo, na verdade, é o petróleo venezuelano.

 

Em seu pronunciamento, João Daniel ressaltou que defende todas as democracias populares e que a verdade sobre a Venezuela precisa ser dita. “A Venezuela foi o país do mundo que mais realizou eleições desde 1999. É um país que vem construindo uma democracia popular. É um país que erradicou o analfabetismo. Agora, os mesmos que combatem a Venezuela baixam o bico para o Donald Trump, para os americanos e para o golpe em curso no Brasil”, relatou o deputado.

 

Confira abaixo a íntegra do artigo:

 

O que está em disputa da Venezuela é a renda do petróleo      

Por João Pedro Stédile – Coordenador nacional do MST e da Via Campesina Brasil

 

O povo brasileiro vem sendo bombardeado todos os dias por mentiras e manipulações da grande imprensa sobre a situação da Venezuela. As acusações vão desde um governo ditatorial, migração em massa, povo passando fome e até violência diária nas ruas, cometida pela polícia, contra todos.

 

Vamos aos fatos. Desde que Chavez assumiu o governo pelas urnas em 1999, foram realizadas dezoito eleições. Duas delas o governo perdeu. A oposição direitista governa três estados importantes. Foi o país do planeta que mais eleições diretas realizou em toda história.

 

Saíram do país, no último ano, em torno de 30 mil venezuelanos para a Colômbia e Brasil. Mas há na Venezuela 3 milhões de colombianos e mais de 15 mil haitianos. A Venezuela é um grande importador de alimentos, e quem importa são empresas privadas e o governo. Nunca se gastou tanto dólares em comida como agora.

 

De abril a agosto de 2017, a direita adotou a tática ucraniana de produzir o terror. O medo, o caos, para provocar um golpe, tentando dividir as forças armadas e pedindo intervenção militar estrangeira! Adotou as mais diversas formas de violência física e social, seguindo os manuais da CIA. Tudo era praticado por jovens mercenários e lúmpens, pagos em dólar. Mataram, nesse processo, 95 pessoas. Cinco foram mortas pelas forças da ordem e noventa eram chavistas, assassinados pelos mercenários.

 

A resposta do governo foi convocar uma constituinte, para repactuar a sociedade. O povo entendeu e somou-se de forma massiva. Ainda que a participação não fosse obrigatória, participaram mais de 8 milhões de eleitores , a maior participação dos últimos vinte anos. Com a eleição da constituinte, o povo derrotou politicamente o terror e a tática ucraniana.

 

A oposição retirou-se das ruas com seus mercenários e participou com seus euros e dólares das eleições para governadores no dia 22 de outubro.

 

Mas o império não se aquietou, e Trump ameaçou com bloqueio econômico, naval e invasão militar! Santa paciência! O imperador falastrão não conhece o povo da Venezuela, nem a América Latina, nem as leis internacionais. Essa ameaça apenas serviu para criar uma coesão ainda maior entre as forças armadas e o povo venezuelano. E uma agressão militar levaria milhões de trabalhadores de toda a América latina a se manifestarem.

 

No fundo, a disputa não é pelo governo Maduro, a disputa é pela renda petroleira, que durante todo século 20 foi apropriada indevidamente pelas empresas estadunidenses e por uma minoria de oligarcas venezuelanos, que viviam como marajás! E isso acabou.

 

A obrigação de todos os militantes, de todos os movimentos populares e partidos de esquerda é defender o povo da Venezuela e o processo bolivariano.

 

Ou assumir que está do lado do império e de seus aliados mercenários dentro da Venezuela! No Brasil, os movimentos populares e partidos políticos nos articulamos em mais de sessenta entidades no comitê Paznavenezuela, para nos manifestar e apoiar de todas as formas possíveis a paz naquele país. Você pode aderir, entre na página com o mesmo nome, e promova atividades de solidariedade em seu espaço social de atuação. Já os golpistas, sua imprensa e alguns oportunistas, seguem vomitando mentiras, como se tivessem alguma moral, de criticar e algum governo de outro golpista.

 

A história não falha, e no futuro as gerações saberão quem eram os golpistas e mercenários a serviço apenas do capital estrangeiro.

 

Foto: Valter Campanato