Crise dos combustíveis: “Este governo não tem projeto”, afirma João Lula Daniel


Aracaju, 30 de maio de 2018

 

 

A alta sucessiva no preço dos combustíveis e, agora, a crise no abastecimento mostram o quanto a escolha da política brasileira de entrega do seu patrimônio aos grandes investidores estrangeiros comprova a subserviência do país ao capital estrangeiro. A avaliação foi feita pelo deputado federal João Lula Daniel (PT/SE). Para ele, este governo que aí está, após tomar o Palácio do Planalto, não tem projeto. “É um governo a serviço das grandes empresas”, disse, em discurso na Câmara dos Deputados.

 

O parlamentar observou que a política brasileira de entregar o seu patrimônio ao capital internacional vem se ampliando. “Não bastasse a entrega do pré-sal e a hipótese de privatização da produção e distribuição de energia elétrica, prioridade da base governista no Congresso, o país vem se submetendo às políticas econômicas traçadas pelos Estados Unidos”, observou.

 

Segundo ele, o caos instalado com a paralisação dos caminhoneiros é resultado de uma política equivocada de gestão da Petrobras, cuja principal preocupação é a de garantir o rendimento dos acionistas da empresa em detrimentos das reais necessidades do nosso povo. O preço abusivo do diesel que provocou a paralisação também se observa na gasolina, no álcool e no gás de cozinha. “Com relação ao gás, o que vemos é que cada vez mais se deixa de cozinhar com gás e se apela para o uso de lenha e, nas cidades, ao uso de álcool, o que tem provocado inúmeros acidentes com donas de casa, com queimaduras graves, em muitos casos”, lamentou João Daniel.

 

O deputado acrescentou que a Federação Única dos Petroleiros (FUP) demonstra que a atual política de reajuste dos derivados de petróleo, que fez os preços dos combustíveis dispararem, é reflexo direto do maior desmonte da história da Petrobras. Eles apontam também como principais culpados pelo caos o presidente da estatal, Pedro Parente, e presidente golpista Michel Temer. “Com o golpe, o número de importadoras de derivados quadruplicou como resultado da adoção preços internacionais, onerando o consumidor brasileiro, para garantir o lucro ao mercado”, disse.

 

Segundo ele, essa gestão entreguista está obrigando a Petrobras a abrir mão do mercado nacional de derivados para as importadoras, que hoje é responsável por um quarto de todos os combustíveis comercializados no país e, com isso, sofrem os caminhoneiros, mas sofre também todo o povo brasileiro. “Estamos vivendo um apagão dos combustíveis a exemplo do que foi o apagão elétrico de FHC e, mesmo com as diferenças existentes, esta política de preços está levando à total inviabilidade de consumo de bens básicos para toda a população, que ainda poderá pagar com impostos todo o rendimento dos rentistas daquela empresa”, disse.

 

Para ele, para não ficar refém dos preços internacionais, a solução não será a que está sendo proposta pelos golpistas, de aumentar impostos para o povo e de reduzir a carga tributária das empresas transportadoras e, sim, a Petrobras voltar a ocupar lugar de destaque no refino e na distribuição de derivados, pois assim poderá estabelecer preços internos capazes de atender às necessidades da população. “O Brasil precisa dar um basta nesta onda de entreguismo e de privatizações e para isso é preciso uma grande mobilização nacional, com a FUP e com os todos os sindicatos e todas as entidades sociais pressionando este governo golpista”, frisou João Daniel.