Contrário à privatização da Eletrobras, João Daniel aponta prejuízos para o país e população caso isso aconteça


Aracaju, 21 de setembro de 2017

 

 

O deputado federal João Daniel (PT/SE) voltou a se posicionar contrário à retomada do projeto de privatizações pelo governo federal, em especial do Sistema Eletrobras, como já foi manifestada a intenção em vendê-lo. Em discurso na sessão da Câmara desta quinta-feira, dia 21, ele ressaltou os prejuízos que isso causará, tanto à soberania do país quanto à população consumidora, com o aumento da tarifa. A Eletrobras é uma das maiores empresas de energia do mundo e a líder na América Latina, responsável por mais de 30% da geração de eletricidade e por 50% das linhas de transmissão de energia do Brasil

 

“Jamais se pensou que um governo pudesse encaminhar com tanta força esta questão das privatizações. Nós, especialmente do Nordeste, fizemos um grande debate sobre a importância do papel do setor de energia do rio São Francisco e sobre a questão da Chesf [Companhia Hidrelétrica do São Francisco]”, disse, acrescentando que tem procurado ouvir a sociedade, os trabalhadores do sistema, o Sindicato dos Eletricitários de Sergipe (Sinergia) e debatido sobre essa questão tão importante.

 

João Daniel lembrou que, no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi criado o Programa Luz para Todos, que transformou o sonho de ter energia elétrica em realidade em todas as propriedades do país, quase universalizando a prestação em alguns estados. “No caso de Sergipe, encerrou o governo da presidenta Dilma quase universalizando o acesso a energia, graças ao trabalho dos funcionários das empresas de energia e do Sistema Eletrobras. O governo tinha política, tinha empresas e contratava empresas privadas. Elas, em parceria com o Governo, fizeram as redes de distribuição e levaram energia às comunidades mais distantes em todos os Estados do Brasil. Um sonho quase impossível transformou-se em realidade, porque era política de Estado”.

 

De acordo com o parlamentar – que integra a Frente Parlamentar em Defesa do Setor Elétrico, coordenada pela deputada Erika Kokay –, há duas semanas foi realizado um debate na Comissão de Desenvolvimento Urbano (CDU) da Câmara sobre o setor elétrico. Na oportunidade, disse ele, estudiosos do tema passaram dados que países citados como exemplo por muitos deputados, como Estados Unidos, Suécia, Alemanha e França, têm grande parte de suas empresas estatais, incluindo as do setor elétrico e de saneamento, interessadas adquirir as nossas. Ou seja, esses países mantêm as empresas estatais, pois sabem da importância estratégica desses setores.

 

Entrega

João Daniel alertou que, enquanto levantamentos feitos por estudiosos apontam que a Eletrobras valeria R$ 400 bilhões, o governo está oferecendo-a aos interessados por R$ 20 bilhões. Nessa venda estará sendo entregue um patrimônio de 270 subestações e seis distribuidoras de energia nos estados Piauí, Acre, Roraima, Amazonas, Rondônia e Alagoas; sem contar que o Brasil irá perder o controle dos mais importantes rios do país, inclusive o São Francisco, o que colocará em risco a soberania nacional. Além disso, o Nordeste poderá perder um patrimônio real que é a Chesf, já incorporada à nossa economia e a nossa cultura.

 

A venda das empresas energéticas também irá mexer com o bolso do consumidor, isso porque a privatização vai implicar em uma revisão do atual modelo tarifário. Ele citou como exemplo o aumento dado pelo governo e o Ministério de Minas e Energia, em mais de 200% na conta de energia para as cooperativas permissionárias da distribuição, a exemplo da Coopertreze, em Sergipe, com a retirada dos subsídios. Com isso, a tarifa aumentou e a população é quem está pagando por isso.

 

O valor posto pelo governo ilegítimo para o sistema Eletrobras todo corresponde somente a uma usina da Chesf, a hidrelétrica de Xingó, que custa este valor. Praticamente o mesmo que custou a usina de Jirau, R$ 19 bilhões. “Portando, não será venda, será um crime contra a Pátria”, alertou. Para ele, isso lembra a história da venda da Vale do Rio Doce, que valia, segundo os estudos, R$ 73 bilhões e o governo vendeu por R$ 3 bilhões, financiados pelo BNDES. “Hoje, ninguém sabe direito de quem é a Vale, qual é o seu poder. O que se sabe é que ela se internacionalizou e está vendendo as suas empresas. E não foi apenas uma empresa. Nós vendemos, quando vendemos a Vale do Rio Doce, as nossas riquezas, os nossos minérios e o nosso subsolo”, observou o parlamentar.

 

Segundo ele, por essa razão defende outro projeto, baseado na soberania nacional, pelo qual as empresas estatais do setor elétrico, do petróleo e demais empresas estratégicas estejam sob o controle das estatais e do Estado brasileiro.

 

Por Edjane Oliveira, da Assessoria de Imprensa