Só as mobilizações irão impedir que o pré-sal seja entregue, avalia João Daniel


Aracaju, 07 de julho de 2016

Em discurso na Câmara, o deputado federal João Daniel avaliou que o Projeto de Lei 4567/16 – que tira da Petrobras a exclusividade na produção e exploração na camada do pré-sal – só não será aprovado no parlamento se houver mobilização de petroleiros, sindicatos e da sociedade brasileira. Para ele, apenas isso vai impedir que todo esse patrimônio construído seja entregue às multinacionais. O projeto está para ser votado em plenário.

 

“Esse é um dos projetos mais importantes para o governo interino. O que está em jogo nesse projeto do pré-sal é a quebra do monopólio do petróleo da Petrobras, é a desnacionalização do petróleo brasileiro e é a possibilidade real de entregarmos a nossa maior riqueza natural, descoberta pela ciência brasileira, por uma das melhores e maiores empresas de petróleo no mundo, que é a Petrobras”, disse, ao parabenizar os funcionários da empresa, sindicato e federação pela luta e pela história.

 

Para João Daniel, esse projeto só não será aprovado na Câmara se as mobilizações dos Estados e da sociedade brasileira cobrarem dos parlamentares e das bancadas. O deputado afirmou que esse projeto é antinacional. “Esse projeto destrói a possibilidade da construção de uma nação livre, justa e soberana”, acrescentou.

 

O deputado João Daniel disse ser contrário a esse projeto do senador José Serra (PSDB), que hoje é ministro interino das Relações Exteriores. Segundo o parlamentar as denúncias são feitas pelo WikiLeaks, entre outras denúncias internacionais sobre o que estão tentando fazer com esse patrimônio nacional que é a Petrobras. “O senador José Serra, hoje, ministro interino das Relações Exteriores, tem como objetivo vender e entregar a Petrobras para as grandes empresas internacionais, em especial para as americanas. É uma denúncia grave. É a desnacionalização”, disse, ao reafirmar que só as mobilizações dos petroleiros, seus sindicatos e federações e da sociedade brasileira é que impedirão que esse patrimônio construído no Brasil seja entregue de graça para as multinacionais.

 

Indígenas em mobilização em Brasília

Indígenas

Em seu discurso, o deputado João Daniel também parabenizou a luta do povo indígena que conseguiu afastar mais uma indicação que o governo interino queria fazer para a presidência da Fundação Nacional do Índio (Funai), o general de reserva do Exército Sebastião Roberto Paternelli. O parlamentar disse que esse militar apoiou e apoia a ditadura e avaliou que sua nomeação seria aberta contra os povos indígenas.

 

“Esta não nomeação se deve à força dos povos indígenas, da sociedade brasileira e da sociedade internacional. Fizeram mobilização, cobraram e o governo teve de recuar. Afinal, não deveriam nem ter mexido na Funai, que vem fazendo um bom trabalho, que vem sendo perseguida por esta CPI aqui dentro do Congresso Nacional, que tem tratado como criminalização”, declarou.

 

Segundo João Daniel, há, inclusive, denúncias de que estão sendo utilizado aviões, carros de proprietários rurais, de grileiros, de fazendeiros, que massacram os povos indígenas pelos membros da CPI e por assessores para criminalizar as organizações e os povos indígenas. Para ele, isso é muito grave. “Lamentamos essa forma de tratar os povos originários, por quem nós deveríamos ter respeito. Pela história do nosso partido, temos respeito pelos povos indígenas do nosso país e damos a eles um tratamento digno, assim como deve fazer toda a sociedade brasileira”, colocou o deputado.

 

Por Edjane Oliveira, da Assessoria de Imprensa