Sempre defendemos que tudo fosse apurado, disse João Daniel sobre cassação de Eduardo Cunha


Aracaju, 12 de setembro de 2016

João Daniel foi um dos primeiros a assinar a representação contra Cunha na Comissão de Ética

Com seu voto já definido há muito tempo pela saída do deputado Eduardo Cunha (PMDB), o deputado João Daniel (PT/SE) classificou o dia 12 de setembro como uma data histórica para a Câmara dos Deputados, quando, enfim, coloca em votação no plenário o processo de cassação do seu ex-presidente. João Daniel lembrou que, desde o primeiro momento, quando a maioria da Casa elegeu Eduardo Cunha como presidente, ele se posicionou pela apuração de todas as denúncias contra o peemedebista.

 

“Nós assinamos recurso para que, a partir de várias denúncias feitas pelo Ministério Público do Brasil e da Suíça, o então presidente da Câmara se afastasse para fazer sua defesa e, em caso de não haver provas, que voltasse e assumisse, porque nós somos a favor e vamos defender sempre que todos, em qualquer lugar, devam ter o amplo direito de defesa”, disse.

 

João Daniel acrescentou que, no entanto, o que se viu foi a força do poder e as articulações de Cunha, que disse, quando o Partido dos Trabalhadores não apoiou a sua manutenção como presidente da Câmara e votou a favor das investigações no Conselho de Ética, as palavras fortes de que agora ele se aliaria, como se aliou, ao poder econômico nacional, do qual faz parte ele e um grande grupo do Parlamento para derrubar a presidenta Dilma. “E no dia 17 foi comprovado, com a votação da cassação da presidenta Dilma, agora concretizada no Senado”, disse.

Deputados entregam representação contra Eduardo Cunha à Corregedoria da Câmara

Para João Daniel, o que está em jogo não é a votação da cassação do ex-presidente Eduardo Cunha. “O que se passa neste momento é um choque de projetos para desestruturar a Constituição Cidadã, de 1988, com garantias e conquistas da classe trabalhadora, e aprovar leis que vão retirar direitos e conquistas do povo brasileiro, mexendo na Previdência, nos direitos trabalhistas, na questão do pré-sal e em tantas outras coisas”, ressaltou. Portanto, defendeu o deputado, a classe trabalhadora do Brasil, assim como fizeram os petroleiros, nesta segunda-feira, nos aeroportos brasileiros, deve estar nas ruas, na luta em defesa da democracia, das eleições diretas, do povo brasileiro e da nossa Constituição.

 

Silêncio

Passados 12 dias do afastamento definitivo da presidenta Dilma pelo Senado, João Daniel observou que o se vê por todo país são atos, manifestações que, destacou, são manipuladas pela grande mídia nacional. O deputado acrescentou que no dia da votação do ex-presidente da Câmara não se vê uma bandeira verde e amarela no Brasil, que era a bandeira que pedia o impeachment da presidenta Dilma e com a qual se falava num tal combate à corrupção. “As manifestações feitas pelo impeachment comprovam as manipulações da grande mídia, acordadas e pagas pela elite brasileira, como a mesa grande e farta, na frente desta Câmara, patrocinada por representantes da classe da elite brasileira”, disse.
O deputado João Daniel acrescentou que viu dois sinais do presidente golpista Michel Temer que mostram o que ele quer com o Brasil. Um deles foi a falta de feijão e o aumento do seu preço, sendo que imediatamente a isso autoriza as empresas a importarem, ao invés de incentivar a produção da agricultura familiar, que produz feijão no Brasil. “Agora vimos o sinal e o símbolo da compra do sapato na China. O que tem a ver, podem perguntar. É um sinal claro de que não defende e não quer a indústria nacional”, afirmou.
Ele acrescentou que uma parte da indústria nacional brasileira, representada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), não atua mais na indústria e na produção nacional, já está no setor financeiro, não gera emprego, não pensa na economia nacional, não pensa no Brasil-Nação. “Presta-se a servir a grandes corporações internacionais do sistema financeiro, porque, assim como este governo golpista, quer este país como parte de uma colônia das grandes multinacionais e do império”, finalizou.

 

Por Edjane Oliveira, da Assessoria de Imprensa

Fotos: Márcio Garcez