Pauta conservadora da direita que perdeu as eleições quatro vezes é o que está por trás desse Congresso que derrubou Dilma


 

Aracaju, 13 de setembro de 2016

 

 

A maioria de parlamentares que apoiavam e elegeram o ex-deputado Eduardo Cunha presidente da Câmara não esteve ao lado dele na hora da votação da sua cassação, na última segunda-feira, dia 12. Em discurso feito na sessão desta terça, o deputado João Daniel (PT/SE) lembrou a comemoração que houve no dia da eleição do ex-presidente e desde lá já havia notícias de que Cunha teria um grande esquema de corrupção e que ele bancava dezenas de parlamentares. “Mas aqui houve uma grande festa, com apoio da grande mídia nacional. Naquele dia, já se preparava, durante a comemoração, aquilo que o líder e presidente nacional do PSDB prometia com as ações na imprensa e no noticiário, que era impedir, de todas as formas, que a presidenta Dilma governasse o Brasil”, disse.

 

Segundo João Daniel, como, legalmente, não conseguiram fazer isso, transformaram o Brasil num país em crise política. “Usaram, 24 horas por dia, apoiados pela grande mídia, a tribuna da Câmara e do Senado, numa guerra para inviabilizar a presidenta Dilma. Criada a crise política, aumentou-se a crise econômica e passou-se a divulgar que o Brasil estava quebrado, afundado”, relatou. Ele disse que toda essa farsa foi montada para que no dia 17 de abril fizessem uma nova comemoração na Câmara, com a aprovação da admissibilidade do processo de impeachment da presidenta Dilma.
No entanto, o que se viu na sessão que votou a cassação de Eduardo Cunha foi que a maioria que antes estava ao seu lado o abandonou. No entanto, observou João Daniel, embora a Câmara tenha feito justiça e cassado o mandato do ex-presidente, o que, verdadeiramente, está por trás deste Congresso Nacional, bancado por aqueles que derrubaram a presidenta Dilma, é a pauta conservadora da direita que perdeu as eleições por quatro vezes. “Como essa pauta e esse projeto não puderam ganhar eleições, foi preciso interromper o mandato democrático da presidenta Dilma”, afirmou.

 

E, para ele, a perspectiva nesse cenário não é nada favorável ao país. Na avaliação do deputado João Daniel, o que terá, com apoio do Congresso conservador, tendo o Governo aliado às grandes empresas e corporações internacionais, serão mudanças nos direitos trabalhistas, nos direitos previdenciários conquistados, retomada das privatizações e a entrega das terras brasileiras a estrangeiros. “Por isso, a classe trabalhadora, neste momento, tem de se unir e ir às ruas”, ressaltou.

 

Por Edjane Oliveira, da Assessoria de Imprensa

Foto: Márcio Garcez