Passagem dos 50 anos do golpe militar é lembrada pelo deputado João Daniel na Assembleia


O deputado João Daniel (PT) fez o registro da passagem dos 50 anos do golpe militar no Brasil, na sessão desta terça-feira, dia 1, da Assembleia Legislativa. Segundo ele, o parlamento estadual sergipano viveu esse momento há cinco décadas. Para o deputado, é importante que todos, especialmente a juventude, possa refletir sobre esse momento histórico, até para não achar que a história do Brasil é apenas aquela contada na maioria das salas de aula, como se nada disso tivesse acontecido ou não tivessem ocorrido lutas importantes.
João Daniel informou que ontem teve a oportunidade de participar, a convite de alguns companheiros que sofreram durante o período da ditadura, de um evento que fez uma homenagem a esses lutadores, além de um debate com o tema “Ditadura nunca mais”. Entre esses homenageados, pessoas como Rosalvo Alexandre, Wellington Mangueira, Paulo Afonso, Manuel Hora, Zelita Correia, Laurinha Mangueira, João Augusto Gama, entre outros. “Lutadores e lutadoras de Sergipe e do Brasil que continuam firmes defendendo os ideais de uma sociedade justa, igualitária e fraterna.

Para João Daniel, esse foi um momento importante e vários outros atos estão sendo realizados esta semana pelos movimentos sociais, estudantil, Levante Popular da Juventude e outras organizações. Segundo o deputado, talvez os servidores e trabalhadores rurais não tivessem que estar hoje fazendo suas reivindicações e lutas por direitos que não foram conquistados ainda se não tivesse ocorrido o golpe que derrubou o governo popular progressista de Seixas Dória em Sergipe e de João Goulart na esfera federal.

“O Brasil e o Estado de Sergipe como outros tinham governos progressistas, passaram pela grande oportunidade de ter grandes programas, projetos e foram barrados, impedidos com o golpe apoiado pela CIA, Estados Unidos e grande parte da burguesia brasileira, setores conservadores da igreja e da sociedade. Tanto que fala em golpe militar e civil porque teve parte da população ingenuamente, ou conservadora que apoiava através da força dos meios de comunicações.

Em seu discurso, o deputado registrou um artigo publicado por um estudioso da Universidade de Brasília (UnB), Rafael Villas Bôas, que escreveu sobre os 50 anos da ditadura voltado para a questão agrária. Da tribuna da Assembleia, João Daniel fez a leitura do artigo intitulado “Reforma Agrária e o Golpe de 1964: imaginar o passado para projetar o futuro”.

O deputado João Daniel ressaltou que é preciso deixar claro para os sergipanos, principalmente as gerações mais novas, que a naquela época na Assembleia Legislativa nem todos se acomodaram, se acovardaram no golpe militar. Ele destacou três grandes parlamentares que quando da cassação e derrubada do governador Seixas Dória não baixaram a cabeça e mesmo com os oficiais ocupando a Assembleia tiveram a coragem de denunciar e não se alinhar ao golpe: Viana de Assis, Cleto Maia e Nivaldo Santos

Operação Cajueiro
Ao registrar o destemor de tantos lutadores e lutadoras sergipanos que foram presos, torturados e alguns até mortos, João Daniel ressaltou que é importante que a juventude conheça esses fatos. Em seu pronunciamento, o deputado lembrou da Operação Cajueiro, desencadeada no ano de 1976, sob o comando da 6ª Região Militar. Na oportunidade, várias pessoas foram presas e torturadas. “Segundo dados do professor Ibarê Dantas, 25 pessoas foram presas, das quais 18 sofreram processo pela ditadura militar”, disse.

“Em meio às lutas temos a campanha pelas Diretas e nesse novo momento quero registrar que temos orgulho de ter, apesar de passado esses 50 anos da ditadura, na Presidência da República uma das grandes mulheres que sofreram a tortura e a prisão nesse período e no governo do Estado de Sergipe um dos homens que lutaram pela democracia que é o governador Jackson Barreto”, destacou João Daniel.

Aparte
A deputada Maria Mendonça (PP) aparteou o discurso para se solidarizar com o pronunciamento de João Daniel e dizer que viveu esse período da ditadura, que deixou sequelas na sociedade brasileira no que diz respeito à agressão que foi feita às pessoas que foram torturadas, espancadas e sofreram todo tipo pressão. A deputada lembrou que seu pai, Chico de Miguel, nesse período era deputado estadual e com a ditadura teve seus direitos políticos cassados. “Eu tive a oportunidade de acompanhar essa situação de perto com meu pai que teve seu mandato arrancado de forma desleal, desonesta e agressiva, sem nada que comprovasse a participação dele em um crime”, disse, emocionada.

O deputado João Daniel lamentou que 50 anos depois hoje vejamos setores conservadores tentarem puxar atos em vários estados do país pela defesa da volta dos militares ao poder. Por isso, defendeu ele que essa verdadeira história seja contada às gerações mais novas para que tenham conhecimento do que realmente ocorreu. “Felizmente em todos os atos a população brasileira não participou. A grande maioria, apesar da falta de esclarecimento, não concorda e não quer a volta do regime. Temos ainda muitos problemas a serem resolvidos. Vivemos momento importante de participação e essa é a sociedade que queremos: livre, onde as pessoas se manifestem, cobrem”, disse.

Ele acrescentou que tem muita esperança de que aquele que hoje está no governo do estado, Jackson Barreto que representa o grupo dos históricos lutadores perseguidos pela ditadura, e a presidenta Dilma, que foi presa e torturada, possam apoiar essa luta da sociedade pela Comissão da Verdade. “Que se descubra e conte a verdade e a juventude possa refletir para construir uma democracia justa, com direitos e a sociedade participando efetivamente”, enfatizou João Daniel.

Edjane Oliveira, da Assessoria Parlamentar