O que está em jogo nesse momento é o retrocesso, alerta João Daniel


 

Aracaju, 28 de abril de 2016

 

Em discurso feito na sessão desta quinta-feira, dia 28, na Câmara, o deputado federal João Daniel (PT/SE) avaliou que este momento que vive o país tem sido de reflexão pela militância do Partido dos Trabalhadores e as mais diversas organizações sociais brasileiras. Para ele, é um período importante que vem sido acompanhado por esses segmentos sobre o que vem ocorrendo nos últimos meses, especialmente depois da eleição legítima e democrática da presidenta Dilma Rousseff, em 2014.

 

João Daniel ressaltou que em toda história do Brasil nesses mais de 500 anos tivemos momentos de avanço e de retrocesso. Para ele, o que está em jogo no Brasil nesse momento é o retrocesso que o país pode viver. Não apenas no que se refere a sua economia, mas, principalmente, no que se refere à justiça social os importantes projetos nas áreas de educação e saúde.

 

“Nós vivemos um momento que uma parte da nossa juventude brasileira não conhece, que parte dela não viveu, porque conheceu apenas o período após o fim da ditadura militar. De 64 e 85, nós tivemos um período marcado por um golpe, em que a democracia brasileira foi rasgada, as leis foram desrespeitadas, direitos foram negados, em que muitos homens e mulheres jovens de todos os movimentos lutadores, da classe trabalhadora, dos intelectuais, dos democratas brasileiros foram perseguidos, massacrados e assassinados”, lembrou.

 

Passado esse período, destacou o deputado, o país passou pela construção de uma luta democrática, incluindo a luta pelas diretas, pela democratização e a volta da democracia, mesmo que um tanto frágil. Mas, para João Daniel, a verdadeira democracia brasileira será construída quando todos os homens, mulheres e jovens tiverem acesso não só à educação, à saúde e ao emprego digno, mas também ao respeito a todos os direitos universais, como o lazer, a educação superior e todos os direitos que as crianças, os jovens e os adultos devem ter. “Essa sociedade é fruto de muita luta, é fruto de uma história formada pela classe trabalhadora, que luta há muitas décadas pela sua emancipação e pelas melhorias de uma sociedade com justiça”, disse.

 

Não aceitou

De acordo com o deputado João Daniel, nesses últimos 16 meses, o que o país acompanhou foi uma nova força brasileira que se estende em nossa sociedade e que não aceitou democraticamente as eleições de 2014. “Esta força entra em todos os meios da nossa sociedade, principalmente no Congresso Nacional. Esta força é canalizada e apoiada abertamente pela grande mídia, que em toda a história brasileira se prestou a ajudar a fazer os golpes, a ajudar a torturar e matar. A própria Rede Globo, um dos maiores impérios de comunicação do mundo, reconheceu isso e, 30 anos depois, pediu perdão ao povo brasileiro por ter participado da ditadura militar, colaborado e convivido com ela”, observou.

 

Em seu discurso, o deputado chamou a atenção da juventude que não conheceu o período da ditadura que neste momento se trabalha, principalmente no Congresso, com as forças reacionárias brasileiras, para provar, 24 horas por dia, que o Brasil está mal, que o Brasil tem desemprego, para justificar o que ocorreu no dia 17, para justificar o que poderá ocorrer no Senado, com a admissibilidade do impeachment da presidenta Dilma.

 

“Mas eu, pessoalmente, acredito que os senadores e as senadoras têm uma nova forma de pensar, têm uma nova forma de compreender aquilo que aqui não foi compreendido pela maioria dos parlamentares. Nós vivemos esse momento e acreditamos em nossa juventude”, afirmou João Daniel. Na avaliação do deputado, essa forma de a grande mídia, o Congresso e setores conservadores tentarem, diuturnamente, denegrir a imagem de uma mulher, como tentam fazer com a presidenta, é para justificar o que verdadeiramente será feito caso o golpe seja concluído, que é a retomada de uma agenda conservadora.

 

João Daniel disse que a agenda conservadora está estampada em vários jornais, em várias revistas. “Eles não conseguem esconder essa agenda, que é a retomada das privatizações, a retirada de direitos trabalhistas, a retirada de programas sociais e a colocação do Brasil em condição com que sempre sonhou parte da elite brasileira — um país que seja submetido às potências internacionais, em especial ao império americano”, destacou.

 

Segundo o deputado, o Brasil, com o presidente Lula e a presidenta Dilma, construiu uma nova rota, uma nova forma de pensar o Brasil, uma nova forma de ver a Nação brasileira, uma nova forma de interpretar o mundo e uma nova forma de se relacionar com os países e com o mundo. “Nós que ajudamos a construir vários fóruns internacionais, nós que participamos de todos os fóruns internacionais pela democracia, pela luta, pela justiça e, em especial, pela nossa juventude, nesse momento, é tudo isso está em jogo”, alertou, acrescentando que, por isso, é fundamental que a juventude esteja nas ruas, de cabeça erguida e não aceite que os votos dos eleitores que elegeram a presidenta sejam desrespeitados.

 

“Acima de tudo, nesse momento, está em jogo uma sociedade que está construindo seus valores para uma grande economia, com valores econômicos, mas, em especial, pela justiça social, com grandes projetos de educação e de saúde. Podemos relacionar dezenas deles, basta ver o que é, hoje, o Programa Mais Médicos no Brasil, programa que esses setores contestaram, não aceitaram. Portanto, juventude brasileira do campo e da cidade, povo brasileiro e classe trabalhadora, em especial as centrais sindicais combativas, aquelas que representam os interesses da classe trabalhadora, os movimentos sociais e populares, está em jogo o retrocesso”, afirmou, ao desejar que este 1º de maio inaugure mais uma página de luta, de firmeza para as conquistas de direito e não ao retrocesso.

 

Por Edjane Oliveira, da Assessoria de Imprensa

Foto: PT na Câmara