Marcha dos Trabalhadores Rurais Sem Terra reúne cerca de 10 mil pessoas em Aracaju


Aracaju, 25 de julho de 2018

 

 

João Pedro Stédile marcou presença na 16ª Marcha do 25 de Julho em Sergipe

O Dia do Trabalhador Rural foi marcado em Sergipe pela tradicional Marcha Estadual dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, realizada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra de Sergipe (MST/SE). Em sua 16ª edição, cerca de 10 mil pessoas participaram, nesta quarta-feira, dia 25, do ato, que saiu da praça Ronaldo Calumby, no conjunto Tiradentes, zona oeste de Aracaju. Em marcha, eles saíram até o Centro da capital, na praça General Valadão. Antes do destino final, um ato político foi realizado na frente da Superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), ocupado pelo MST desde a última segunda-feira, dia 23. Sergipe foi o único estado do país a realizar a grande marcha dos trabalhadores sem terra.

 

Como tem acontecido nos últimos anos, a Marcha do 25 de julho contou com a presença do coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile. Além dos assentados e acampados, a marcha teve a participação de trabalhadores de outras categorias que apoiam a luta pela reforma agrária. Também estiveram presentes o deputado federal João Lula Daniel (PT/SE), a deputada Ana Lúcia (PT), o vereador Iran Barbosa, representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento Camponês Popular (MCP), Coletivo Quilombo, Levante Popular da Juventude, a secretária estadual de Agricultura, Rosilene Rodrigues; o gerente do Crédito Fundiário, Carlos Fontenele; o ex-secretário estadual de Agricultura, Esmeraldo Leal; o prefeito e a vice-prefeita de Adustina (BA), Paulo Sérgio e Loirinha do Sem Terra; entre outros.

 

O deputado federal João Daniel participou da marcha e destacou que, além da luta pela reforma agrária, este ano o ato teve mais um motivo, que é debater a situação do Brasil e defender a libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Os trabalhadores e trabalhadoras do campo, assentados e assentadas, trabalhadores da cidade, acampados estão na luta pela defesa da soberania nacional, pela reforma agrária e retomar um grande debate para um projeto do Brasil. Não podemos aceitar esse golpe dado no Brasil que a cada dia retira direitos históricos da classe trabalhadora e entrega o Brasil na mão das grandes empresas capitalistas”, disse, ressaltando que o país não pode voltar à miséria.

 

O ato do 25 de julho faz parte da Jornada Nacional de Lutas e, segundo João Pedro Stédile, este ano tem uma forte simbologia, porque o maior líder popular do país está preso injustamente. “Lula não cometeu nenhum crime e está lá na carceragem da Polícia Federal”, disse. Stédile acrescentou ainda que a marcha de Sergipe é histórica e repercute no Brasil inteiro. Este ano, o ato teve a cobertura da Telesur – rede de televisão multi-estatal para a América, com sede na Venezuela – para toda América Latina. “Esta marcha tem um valor muito importante porque contribui para demonstrar ao povo brasileiro e ao poder judiciário que estamos na luta e não vamos descansar enquanto não libertar o Lula e eleger ele presidente e até voltarmos a ter um programa de reforma agrária popular que de fato resolva o problema dos trabalhadores rurais sem terra”, afirmou.

 

Luta

Desde o último dia 23, trabalhadores sem terra de Sergipe ocupam a sede da Superintendência do Incra no Estado. Além de cobrarem a libertação do ex-presidente Lula, preso desde o último dia 7 de abril, em âmbito local, na pauta de reivindicações do MST está a desapropriação da área do acampamento Maria Lindaura, no município de Japoatã. Há cerca de cinco anos 200 famílias estão acampadas no local aguardando serem assentadas. Eles também cobram a vistoria de outras fazendas para serem desapropriadas, contratação de empresas de Assistência Técnica para as famílias assentadas, pois há dois anos estão sem esse atendimento, pelo retorno do fornecimento das cestas básicas às famílias acampadas no estado e também pagamento do Fomento Mulher. De acordo com o dirigente nacional do MST em Sergipe, Odair José de Almeida, o Pimenta, existem atualmente cinco áreas para pagamento de desapropriação, duas delas já para imissão de posse: Santo Antônio, no município de Carira, e Campo Alegre, em Pedro Alexandre.

 

Durante o ato político realizado na frente do Incra, João Pedro Stédile falou sobre o atual momento que tem vivido o Brasil, que passa por uma grave crise econômica, social, ambiental e política. “Estamos vivendo um momento muito especial na história política do país, estamos jogando um campeonato que vai decidir nossa vida pelos próximos anos, entre o time da burguesia e o da classe trabalhadora. Todo dia tem um jogo. Às vezes perdemos, às vezes ganhando, mas precisamos ir ganhando pontos para ganhar o jogo final que está marcado para dia 7 de outubro próximo”, disse.

 

Em seu discurso, o coordenador nacional do MST também falou sobre as contradições dos que deram o golpe no Brasil e as tarefas que a classe trabalhadora tem nesse cenário de desmonte que vive o país, de retrocesso da economia, retirada de conquistas históricas e agravamento dos problemas sociais. Aos participantes do ato, João Pedro Stédile trouxe o recado de Lula – a quem visitou em Curitiba (PR) na semana passada – de que será candidato à Presidência da República em outubro próximo, além de passar as tarefas para a militância nos próximos dias.

 

Entre elas estão a caravana que sairá, no próximo dia 27, do Alto Sertão de Pernambuco, até Curitiba para levar o abraço dos nordestinos a Lula, no dia 2 de agosto. No dia 28, acontece no Rio de Janeiro o Festival Lula Livre de música, com mais de 40 artistas já confirmados, entre eles Chico Buarque. Dia 31 de julho tem início a greve de fome por integrantes da Via Campesina, até que Lula seja libertado. Em sua fala, Stédile ressaltou a importância de eleger lideranças populares nas últimas eleições, para que o país possa retomar o caminho do desenvolvimento social.

 

Para João Daniel, o Brasil precisa investir na reforma agrária, na agricultura familiar, na produção de alimentos saudáveis. “Essa marcha traz a força e a energia de todos os lutadores e lutadoras de Sergipe. Por isso marchamos. E são as marchas que alimentam a esperança e forma a consciência da classe trabalhadora”, frisou o deputado.

 

Por Edjane Oliveira, da Assessoria de Imprensa

Fotos: Márcio Garcez