Luzes nesse fim de ano*


Por João Daniel, deputado federal PT/SE

 

Chegamos ao final de um ano Legislativo, um ano conturbado por uma crise real e crises artificiais. Com relação à crise real, podemos dizer que com toda dificuldade de uma conjuntura mundial adversa, com o avanço da direita em todo o mundo, provocado por “uma economia que mata”, por um “capital transformado em ídolo”, e por uma “ambição sem limites do dinheiro que comanda”, como diz o Papa Francisco, chegamos a um momento de renovação de esperanças.

 

Esperança que se renova quando temos um movimento social formando a Frente Brasil Popular com objetivos claros de defender os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras, a melhoria das condições de vida, emprego, salário, aposentadoria, moradia, saúde, educação, terra e transporte público.

 

Uma Frente que luta contra o atual ajuste fiscal e contra todas as medidas que retiram direitos, eliminam empregos, reduzem salários, elevam tarifas dos serviços públicos, estimulam a terceirização, ao tempo em que protegem a minoria rica. Uma Frente que defende uma política econômica voltada para o desenvolvimento com distribuição de renda.

 

Esperança que se esboça quando a presidenta Dilma Rousseff, ouvindo essas forças, estabelece que uma das tarefas do novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, e de Valdir Simão, novo ministro do Planejamento, será a de “contagiar a sociedade com a crença de que o equilíbrio fiscal e o crescimento econômico podem e devem andar juntos”.

 

Com relação à crise artificial, criada desde o momento da reeleição da presidenta Dilma, com tentativas permanentes de desestabilização de um Governo legitimamente eleito e que, por conta dos desvarios dos tucanos e de seus aliados golpistas, além de uma grande mídia que sempre defendeu os interesses da burguesia, vem provocando com suas ações desmedidas, uma tensão e um esforço redobrado no sentido da governança.

 

As atitudes do presidente da Câmara dos Deputado, maculado que está por denúncias comprovadas de desvio de conduta ética, além de criar uma instabilidade interna, vem provocando, juntamente com seus aliados, uma crise institucional que a cada momento mancha o nome do Brasil lá fora, cria uma instabilidade no mercado interno e gera toda uma retração forte da economia.

 

Foi um ano formado por chicanas jurídicas, por um vai e vem nas decisões tomadas em comissões internas e até em decisões de Plenário. Hoje se tem notícias de que nem a decisão do Supremo está sendo considerada por esses senhores que querem se apoderar do poder sem se submeterem ao voto popular. Querem, sim, dar um golpe em nossa democracia.

 

O mais interessante é que a tese que defendem para provocar o impedimento da presidenta Dilma, referente ao que chamam “pedaladas fiscais”, foi açodadamente usada com base num parecer do Tribunal de Contas da União, que já foi derrubado pelo relator do processo no Congresso Nacional.

 

No meio de tudo isso vão aprovando as suas teses retrógradas contra o povo brasileiro, seja avançando nos direitos dos povos indígenas e sem-terra, criando condições favoráveis ao agronegócio e beneficiando as empresas multinacionais que produzem e vendem seus venenos com agressividade cada vez maior, promovendo mortes e doenças no campo.

 

Mas, por fim surgiram algumas luzes nesse fim de ano.

 

Os movimentos sociais foram às ruas defender o mandato da presidenta contra o golpe, defender a economia contra a redução de empregos e a retomada dos avanços sociais e políticos dos últimos anos.

 

E no mundo em que vivemos temos uma luz, um holofote de verdade que vem da Igreja Católica, com o Papa Francisco que, no Brasil, pediu às pessoas que atuassem como revolucionárias e que sejam contra a degradação ambiental e social, contra o neoliberalismo, o tecnocentrismo e contra um sistema econômico de efeitos nefastos da uniformização de culturas e globalização da indiferença.

 

Mas, enfim, é Natal, tempo de reflexão, num país como o nosso, aonde o cristianismo reúne milhões de pessoas e que nos traz os raios dessa esperança. Esperança que se personificará em nossa luta constante por uma sociedade mais justa e um país cada vez menos desigual e mais solidário.

 

Uma luta por uma Reforma Política que promova um maior empoderamento do nosso povo, com a retomada dos projetos de reforma agrária e com o fortalecimento do Ministério do Desenvolvimento Agrário e do Incra.

 

Uma renovação que leve ao afastamento em definitivo de Eduardo Cunha e traga o retorno do papel político da Câmara, com o definitivo respeito ao mandato legítimo da presidenta Dilma e com a consolidação definitiva da nossa luta por uma Frente Brasil Popular que aglutine todos os movimentos populares que lutam por democracia e justiça e por maiores conquistas no campo, com o crescimento de movimentos como a Via Campesina e o MST, que vêm formando quadro técnicos e políticos  para a qualificação de nossas conquistas sociais.

 

*Artigo publicado originalmente no Jornal da Cidade (Sergipe), na edição de 27 e 28 de dezembro de 2015