Justiça: João Daniel destaca decisão sobre assassinato de Valmir Mota, o Keno


Aracaju, 26 de novembro de 2015

 

Valmir Mota: liderança ceifada pela transnacional

 Uma vitória muito importante. Foi assim que o deputado federal João Daniel (PT/SE) classificou a decisão da Justiça, através do juiz Pedro Ivo Moreiro, da 1ª Vara Cível da Comarca de Cascavel (PR), que julgou e condenou a transnacional Syngenta pelo assassinato do trabalhador rural Valmir Mota de Oliveira, o Keno, e tentativa de assassinato contra Isabel Nascimento de Souza, ocorridos no ano de 2007. Segundo o deputado, essa era uma luta histórica da Via Campesina, à qual Valmir integrava, e também da Rede de Advogados Populares da Terra de Direitos que atuou no caso desde o início.

 

“Os movimentos sociais, em especial a Via Campesina, perderam uma das suas grandes lideranças que era Valmir e com essa decisão agora em condenar a Syngenta por ter pago milícias para assassinar o Keno e ameaçar e tentar a morte de Isabel se fez justiça”, avaliou João Daniel. A Syngenta foi ainda condenada a indenizar os familiares de Valmir e Isabel pelos danos morais e materiais causados às vítimas.

 

Para João Daniel, é preciso que todos continuem nessa luta, seja através dos advogados populares da terra e dos movimentos sociais, para que nenhum assassinato daqueles que lutam pelo direito à terra em nosso país fique impune. “Que essa decisão da Justiça em punir uma das grandes empresas da Suíça, uma grande transnacional produtora de transgênicos e agrotóxicos, sirva de lição para que o nosso país e o mundo não deixem que ela, grande capitalista, além de usar nossas riquezas, cometa assassinatos, pague milícias e cometa injustiças que vêm cometendo mundo a fora. Fico feliz e parabenizo a Via Campesina e a Rede de Advogados Populares da Terra porque, mesmo passados vários anos, se fez justiça”, afirmou o deputado.

 

Valmir Mota de Oliveira foi morto, em 2007, em um ataque realizado por uma milícia armada ao acampamento Terra Livre, em Santa Tereza do Oeste, no Paraná. Na época, cerca de 200 integrantes da Via Campesina e MST ocupavam o campo de experimento de transgênicos da transnacional, em protesto contra a realização de experiências ilegais. Cerca de 40 pistoleiros da empresa de proteção privada da Syngenta atacaram o acampamento, disparando tiros em direção às pessoas que ocupavam o espaço. Keno foi morto, Isabel foi baleada e espancada e outros três agricultores ficaram feridos.

 

Por Edjane Oliveira, da Assessoria de Imprensa

Foto: MST