Jornada pela Democracia com Dilma: sergipanos se mantêm firmes na luta contra o golpe


 

Aracaju, 26 de julho de 2016

Foto: Luiz Fernando

Milhares de sergipanos se uniram na praça General Valadão no ato público que recebeu a presidenta Dilma Rousseff, na tarde da última segunda-feira, dia 25. O deputado João Daniel (PT), um dos articuladores da vinda da presidenta, junto com a Frente Sergipana Brasil Popular, ressaltou que a presença maciça da população e dos movimentos sociais na praça durante o ato mostra que não irão aceitar sem resistência que o governo interino se aproprie da Presidência da República, conquistada pela presidenta Dilma com os 54 mil votos conquistados por ela nas eleições de 2014.

 

Estiveram presentes ao ato movimentos sociais, sindical, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) – que vinham da Marcha Estadual em alusão ao Dia do Trabalhador Rural, também comemorado no 25 de julho –, Movimento Advocacia pela Democracia, Mulheres pela Legalidade, coletivos de Juventude, como o Quilombo e Levante Popular da Juventude, entre outros. Também estiveram presentes ao ato parlamentares do Partido dos Trabalhadores, militantes de partidos de esquerda, dos integrantes da Coordenação Nacional do MST, João Pedro Stedile e Alexandre Conceição, entre outros.

 

A presidenta Dilma Rousseff ressaltou a importância do ato realizado em Aracaju, como forma de deixá-la ainda mais forte para enfrentar esse processo de impeachment e afirmou que não vai desistir dessa luta. “Sei que vocês estão comigo, por isso tenho coragem para lutar. A energia de vocês é a minha certeza pura e simples de uma coisa: nós temos conquistas a preservar. Entre elas, a mais importante delas, porque por meio dela nós lutamos pelas outras, é a democracia”, frisou, acrescentando que vai lutar para reverter o julgamento do Senado.

 

O deputado João Daniel ressaltou a felicidade com a presença da presidenta Dilma em Sergipe e a importância disso para o momento político que estamos vivendo. “Essa festa evidencia os atos em defesa da democracia. Aqui nunca foi convocado ato pela Frente Brasil Popular para não estar como hoje”, disse, acrescentando que o povo sergipano que deu a vitória à presidenta Dilma nos 75 municípios não haverá de se curvar ao golpe, mas estará nas ruas até a volta da presidenta Dilma e por um projeto para esse país.

 

Inconformados

Em seu discurso, o coordenador nacional do MST, João Pedro Stedile disse que todos sabem que o Brasil vive uma grave crise econômica e política, porém os poderosos não aceitaram a derrota deles na eleição de 2014 e já no outro dia começaram a conspirar para derrubar o governo Dilma. “Não que a presidenta tenha cometido crime. Eles começaram a conspirar antes dela assumir porque no fundo o que os poderosos desse país precisavam era implantar um pleito neoliberal, para retirar direitos dos trabalhadores e para isso Dilma era empecilho”, afirmou.

 

Foram meses conspirando, disse Stedile, até que em determinado momento com a união do Poder Judiciário, parlamentares e o poder econômico, conseguiram o impeachment. “Porém eles não contavam com a reação popular e estamos aqui na praça para dizer que não aceitaremos o governo golpista do Temer. Estamos na praça para dizer aos senadores que eles não representam o povo brasileiro, que quem representa o povo brasileiro são os 54 milhões que votaram na Dilma”, completou, acrescentando que os militantes agora têm que redobrar as forças par estar nas ruas até recuperar o governo da presidenta Dilma.

 

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Sem crime

Ao discursar, a presidenta Dilma agradeceu a receptividade do povo sergipano que lotou a praça General Valadão para recebê-la e agradeceu também a mobilização dos movimentos sociais, das entidades que compõem a Frente Brasil Popular e reconheceu a solidariedade do governador Jackson Barreto, que não pode estar presente ao ato. Ela destacou que vivemos um tempo de muita dificuldade, pois está em curso no país um golpe contra os interesses do povo.

 

“Não é um golpe qualquer, com tanques e armas, mas em que estão usando a mentira, um não crime, eles mesmos se confundem”, ressaltou, referindo-se tanto às constatações disso pela perícia do Senado que a inocentou, quanto pelo Ministério Público Federal (MPF), que também constatou que as pedaladas não são crime. “Mas para eles isso não importa. Eles querem me afastar da Presidência para impor um profundo retrocesso”, acrescentou Dilma.

 

A presidenta ressaltou ainda que o objetivo desse governo golpista capitaneado por Michel Temer é acabar com programas importantes para a população, a exemplo do Mais Médicos, reduzir os investimentos em Educação, atingindo o Pronatec e as universidades públicas e gratuitas. “E vários programas que nós fizemos. Em menos de dois meses estão acabando”, ressaltou.

 

Dilma Rousseff fez referência aos ataques diretos à classe trabalhadora que este governo interino está articulando. Segundo ela, o que eles propõem para os trabalhadores é a reforma das Leis Trabalhistas, que o patrão negocie direto com o trabalhador desfazendo conquistas alcançadas nos últimos 100 anos. Para ela, o objetivo é reduzir direitos, com uma pauta ultraconservadora.

 

Ela citou também as propostas para a área da Educação, com o projeto “Escola sem partido”, onde tenta impedir qualquer viés político durante as aulas. “Educação sem posição e visão política, sem a crítica e o debate não é educação e sim treinamento. E treinamento não se dá ao cidadão”, afirmou Dilma Rousseff, acrescentando que a população não vai aceitar nenhum direito a menos e foi isso que a população de Sergipe deixou claro durante o ato na praça General Valadão.

 

Por Edjane Oliveira

Fotos: Márcio Garcez

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