João Daniel participa de conferência no Parlamento Europeu que debate acordos entre Mercosul e Comunidade Europeia


 

Aracaju, 04 de maio de 2018

Como deputado federal do Brasil convidado, João Daniel (PT/SE) participou, esta semana, de Conferência realizada entre o Parlamento Europeu e parlamentares brasileiros e da América Latina e entidades da sociedade civil de vários países do nosso continente. O objetivo central do encontro, que foi realizado em Bruxelas, na Bélgica, foi discutir quais são os acordos que estão sendo firmados entre o Mercosul e a Comunidade Econômica Europeia e as alternativas a esses acordos de livre comércio. Além de países europeus e Brasil, a Conferência teve a participação de representantes da Argentina, Venezuela e Uruguai.

 

Na ocasião, João Daniel falou da preocupação da Via Campesina e do Parlamento brasileiro comprometido com a agricultura e pecuária brasileira da agricultura familiar com os acordos que estão sendo firmados e feitos de forma sigilosa, por esse governo, sem nenhuma participação da sociedade civil. Como exemplo, ele citou o que vêm passando os produtores de leite do Sul do país.

 

Segundo o deputado, como o governo federal liberou a entrada do leite vindo do Uruguai, os produtores estão tendo prejuízo, pois estão tendo que comercializar sua produção a um preço mais baixo. “Além desses acordos firmados em sigilo e sem nenhuma participação dos produtores e da sociedade, este governo ilegítimo destituiu o Ministério do Desenvolvimento Agrário e não há nenhuma participação da agricultura familiar e da sociedade civil nas decisões que são tomadas”, denunciou.

 

Durante a Conferência, o deputado João Daniel participou de duas mesas, com o tema “Judicialização e repressão dos movimentos sociais” e “Resistências e Alternativas”. Na ocasião, o parlamentar também denunciou a continuação do golpe de Estado que vem ocorrendo no Brasil, agora com perseguição política ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde o último dia 7.

 

Em sua participação na mesa que debateu a judicialização e a repressão aos movimentos sociais – em que foi convidado como deputado e também como integrante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) –, João Daniel destacou que é muito importante que se compreenda que em todos os momentos da história do Brasil, quando a classe trabalhadora do campo e da cidade começou a melhorar de vida ou ter conquistas sociais e políticas, houve golpe.

 

Objetivos do golpe

Na sua fala, o deputado fez um relato histórico sobre o que tem acontecido no país desde o ano de 2014, quando a presidenta Dilma Rousseff foi reeleita e o golpe foi anunciado. Segundo ele, isso aconteceu justamente porque o Brasil vivia um novo momento em que o país tinha uma situação de quase pleno emprego, saída de 40 milhões de brasileiros da extrema pobreza, ou seja, um cenário claro de redução das desigualdades.

 

“Por isso é preciso compreender que esse golpe, iniciado em 2014 e oficializado pela Câmara dos Deputados em 17 de abril de 2016, tem três grandes objetivos”, disse João Daniel. O primeiro, disse o deputado, era tomar o executivo para que esse novo “governo”, estivesse a serviço das grandes corporações internacionais e seus interesses. O segundo, acrescentou, é a retirada de direitos da classe trabalhadora, com o fim de políticas públicas e o retrocesso, e nisso está incluso a criminalização dos movimentos sociais, e, por fim, a perseguição para impedir que o ex-presidente Lula seja candidato à Presidência da República. “Essa criminalização se dá por conta da história do Brasil, do conservadorismo das elites brasileiras e da situação do golpe”.

 

Na sua fala, ao denunciar o golpe, João Daniel ressaltou a necessidade do apoio da comunidade internacional, para que se denuncie o que classificou como vergonha que vem acontecendo no Brasil. O deputado falou da montagem de um processo baseado em fatos e situações que não existem, com o objetivo de incriminar Lula e tirá-lo da disputa presidencial, numa trama articulada por interesses norte-americanos, apoiado por parte do Judiciário e da mídia. “Esse processo de Lula é o mais claro de como se criminaliza a maior liderança popular do Brasil, que tem condições de ganhas as eleições numa disputa presidencial”.

 

Apesar desse cenário de retrocesso, João Daniel acrescentou que existe esperança, porque o povo brasileiro tem demonstrado sua confiança na liderança de Lula. “O golpe está desmoralizado e tem uma rejeição de 96%. Hoje não tem nenhum candidato da direta em condições de vencer as eleições e, por isso, está sendo feita essa criminalização contra os partidos e, principalmente o PT e suas lideranças, porque eles terão a quinta derrota, se depender da democracia e dos votos dos brasileiros”, acrescentou.

 

Por Edjane Oliveira, da Assessoria de Imprensa