João Daniel participa de audiência que debateu impactos caso Fafen venha ser fechada


Aracaju, 23 de março de 2018

O deputado federal João Daniel (PT/SE) alertou para o ataque à produção de alimentos e à soberania nacional que representa a possibilidade de fechamento da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) em Sergipe, como anunciou a diretoria da Petrobras. O alerta foi feito durante a audiência pública, realizada na manhã desta sexta-feira, dia 23, na Assembleia Legislativa de Sergipe, quando o parlamentar participou representando a Comissão de Direitos Humanos e Minoria (CDHM) da Câmara dos Deputados.

 

“O fechamento da Fafen não diz respeito apenas à perda do emprego de seus trabalhadores. A Fafen é fundamental para a produção de alimentos no mundo. Por isso não podemos permitir que ela seja fechada”, declarou João Daniel. O deputado também lembrou que o país está vivendo um golpe desde o dia 17 de abril de 2016, com o programa Ponte para o Futuro implementado por esse governo federal “A ponte desse governo é a desnacionalização, a entrega de todas as nossas empresas e as nossas riquezas. E não podemos acreditar numa nação livre, forte e justa sem a sua soberania”, disse.

 

Para João Daniel, a audiência foi fundamental e, acrescentou, essa categoria de trabalhadores, que já venceu uma batalha num governo que foi eleito, como o de Fernando Collor, e impediu sua privatização, pode, nesse momento, impedir, mais uma vez, o fechamento da Fafen.

 

Em atividade desde o ano de 1982, a Fafen/SE produz ureia e amônia. Atualmente, a empresa emprega na sua unidade em Sergipe 725 trabalhadores, sendo 250 da Petrobras e 475 terceirizados. Durante a audiência, proposta pela deputada estadual Ana Lúcia (PT), vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, foram debatidos os impactos causados em toda cadeia produtiva caso venha se concretizar o fechamento da Fafen.

 

Comissão geral

Durante a audiência, João Daniel informou que está sendo encaminhada por ele e o deputado Caetano (PT/BA) a realização de uma Comissão Geral na Câmara, com a participação das bancadas federal e estadual e dos governadores de Sergipe e Bahia, para ouvir o sindicato que representa os trabalhadores da Fafen sobre a importância das unidades da Fafen nesses dois estados. Ele destacou a mobilização e união da bancada sergipana e o governo do Estado, tão logo foi comunicado o fechamento pelo presidente da empresa pelo presidente da Petrobras. Após essa reunião, ficou acertada uma outra para a próxima terça-feira, com toda bancada, governadores e gestores da estatal.

 

A audiência teve a participação de deputados estaduais, entre eles o Pastor Antônio dos Santos, presidente da Comissão Transitória da Alese sobre o fechamento da Fafen; os trabalhadores aposentados da Fafen e líderes sindicais Rômulo Rodrigues, José Edmilson dos Santos Araújo e João Bosco Fonseca; o coordenador do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Luis Moura; dirigente do Sindipetro, Edvaldo Soares Leandro; e Lucas Rios, representando o movimento Advocacia pela Democracia, vereadores, sindicalistas, Frente Brasil Popular e representantes de movimentos sociais.

 

Na resistência

Funcionários aposentados da Fafen, que há pouco mais de duas décadas enfrentaram e venceram a primeira tentativa de privatização da fábrica de fertilizantes, usaram a tribuna da Assembleia para destacar a importância da empresa para toda cadeia produtiva envolvida. Rômulo Rodrigues, funcionário aposentado da Fafen/SE, que atuou na resistência na última grande tentativa de privatização da empresa, em sua fala durante a audiência afirmou que essa decisão agora de fechamento da Fafen é eminentemente política. Segundo ele, o argumento de déficit para justificar a “hibernação” da empresa, segundo alegou a Petrobras, é mentiroso. Para Rômulo, fechar a Fafen é um grande crime, porque se isso acontecer é a quebra de um acordo feito há 25 anos.

 

O aposentado da Fafen e sindicalista João Edmilson Araújo observou que o fechamento da Fafen significa desesperança, ameaça de desemprego, mais ainda para os jovens que estão lá, mas também para as comunidades do entorno da fábrica, de Laranjeiras e municípios vizinhos do Vale do Cotinguiba. “Foi ela [a Fafen], com sua moderna forma de produzir, que encobriu a sombra da escravidão naquela região. O que resta então, depois de fechada a Fafen – a alavanca de desenvolvimento estatal que resta ao vale? Resta descer aos pesadelos da escravidão”, desabafou.

 

Já o também aposentado João Bosco Fonseca apresentou dados técnicos sobre a empresa relativos ao início de sua operação em Sergipe e à produção aqui no Estado, que começou no ano de 1982. Na sua fala, ele mostrou que se hoje a Petrobras alega prejuízo financeiro como motivo para o fechamento, este acontece porque não vêm sendo feitos investimentos para que a Fafen venha produzir como poderia. Sobre o impacto social, João Bosco também alertou que a Fafen em toda sua cadeia envolve quase 200 mil empregos, porque um possível fechamento não vai atingir só os estados de Sergipe e Bahia, mas também Pernambuco e Alagoas, por isso é importante chamar esses estados para o debate.

 

Na avaliação do dirigente do Sindipetro, Edvaldo Soares Leandro, este governo ilegítimo e entreguista deu um tiro no pé ao atacar a Fafen, como se não fosse haver reação. Ele disse que, apesar de todos ataques, hoje já se vê que essa luta não é somente dos trabalhadores e trabalhadoras da Fafen, mas incorporado pelo povo de Laranjeiras, da região e de Sergipe. “Não demora muito vai virar uma luta nacional. Esse ataque à Fafen não é somente aos trabalhadores e trabalhadoras, não é só ao estado de Sergipe. O ataque à Fafen é um ataque à soberania do nosso país, porque Sergipe e o Brasil tem duas fases: uma antes e outra depois da Petrobras. A luta continua e temos certeza que continuaremos mantendo aquela fábrica funcionando”, afirmou Leandro.

 

O coordenador do Dieese, Luís Moura, destacou a importância dessa audiência, especialmente nesse momento em que a Petrobras, nessa gestão, que transformá-la numa empresa apenas de petróleo e gás. Ele também ressaltou a importância de se questionar esse prejuízo da Fafen/SE em R$ 600 milhões, alegado pela direção da estatal como motivo que justifique o seu fechamento. “Tem uma suspeita sobre isso. Não dá para aceitar isso como um fato consumado”, destacou.

 

Por Edjane Oliveira, da Assessoria de Imprensa

Fotos: Márcio Garcez