João Daniel lembra passagem do Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária


Há 17 anos, 19 trabalhadores rurais foram assassinados no episódio que ficou conhecido com Massacre de Eldorado dos Carajás, no Estado do Pará. Para marcar a data, o deputado João Daniel (PT) fez pronunciamento no grande expediente da sessão desta quarta-feira, dia 17, lembrando que hoje é comemorado o Dia Internacional de Luta Camponesa e Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária. As galerias da Assembleia foram ocupadas por trabalhadores sem terra, que participam de ações realizadas no dia de hoje em todo Estado, para marcar a data.

O deputado também saudou os policiais militares, também presente à Casa, dizendo que em Sergipe tivemos um período de governos que tiveram uma nova visão sobre a questão social e os conflitos sociais, a exemplo do governo Albano Franco e seguido pelo atual governo Marcelo Déda. “Temos a clareza de ter respeito à categoria e reconhecer os policiais militares como trabalhadores”, disse.

Em seu discurso, João Daniel disse que no dia de hoje queria relembrar a data em que, quando 1.500 trabalhadores faziam uma marcha no Pará, lamentavelmente, 19 deles foram assassinados, sendo que 10 foram comprovadamente mortos à queima-roupa. “Todos sabem que o massacre foi autorizado pelo governo daquele Estado, a Secretaria de Segurança Pública e a polícia comandada por um comandante que não merecia respeito, Mário Pantoja, que ordenou que fosse feito o massacre a esses trabalhadores, que não tiveram nenhuma condição de defesa”, afirmou João Daniel. Segundo ele, a partir desse massacre, o país inteiro tomou conhecimento e abriu-se um grande debate e discussão em torno desse assunto.

O parlamentar disse que queria homenagear todos os trabalhadores que lutam em Sergipe e em todo país. Ele acrescentou que em todo Brasil hoje estão sendo realizadas manifestações. Às 9 horas, disse ele, foram feitos atos nas rodovias, com panfletagem e 19 minutos de homenagem aos trabalhadores mortos, pelo Dia de Memória pela Luta Camponesa. “Isso é para que a sociedade brasileira relembre e saiba que ainda temos milhares de trabalhadores e lideranças que foram assassinadas por grileiros e fazendeiros, por uma injusta distribuição de terra”, disse João Daniel, acrescentando que o Brasil é o segundo país que mais concentra terra.

Ele ressaltou que os governos Lula e Dilma Rousseff têm feito um esforço para a reforma agrária, mas ainda há muita concentração de terra no país. João Daniel acrescentou que onde houve o massacre em Eldorado dos Carajás, na antiga fazenda Macaxeira hoje há um grande assentamento. O local recebeu um monumento na rodovia, feito pelo arquiteto Oscar Niemeyer. “E ali hoje é uma região com muitos assentamentos e o mundo inteiro passou a conhecê-la. Mas também, lamentavelmente, trabalhadores, religiosos e sindicalistas continuam sendo mortos por conta da grilagem, da concentração de terra, das grandes empresas que perseguem e matam os trabalhadores”.

De acordo com o deputado petista, os trabalhadores rurais têm uma pauta nacional e estão com um acampamento em Brasília, com representantes do MST de todo país, inclusive de Sergipe. Entre o que cobram, que seja cumprido o acordo feito no final de 2011, quando foi assinado um convênio que possibilitava o assentamento de mais de duas mil famílias. Mas esse convênio foi suspenso para Sergipe e outros Estados e até o momento não se tem resposta. Ele apelou à presidente Dilma Rousseff, para que possa novamente discutir e garantir que esses Estados em que foi suspenso possam ter a situação resolvida. Aqui no Estado, os trabalhadores sem terra vão fazer uma vigília no Poder Judiciário, para cobrar dele uma postura mais sensível no que se refere à reforma agrária.

Em Sergipe, disse João Daniel, mais de 8 mil famílias estão em acampamentos, algumas há mais de uma década. Ele acrescentou que, felizmente, o governo Marcelo Déda fez no início de seu governo um convênio quando se conseguiu realizar na região do alto sertão o assentamento de mais de 1.200 famílias, o que, para ele, foi importante. No entanto ele observou que muitas vezes a própria legislação, que é da época da ditadura militar, emperra o processo.

Diversos parlamentares, como a deputada Ana Lúcia (PT), Francisco Gualberto (PT), Conceição Vieira (PT), Capitão Samuel (PTC) e Maria Mendonça (PSB) apartearam o pronunciamento do colega para parabenizar e se solidarizar com a luta dos trabalhadores sem terra, destacando a importância deles para o desenvolvimento do país e também ressaltando a luta que eles desempenham para que consigam seus objetivos.

Edjane Oliveira, da Agência Alese