João Daniel lamenta atrasos promovidos pelo governo provisório


Aracaju, 17 de maio de 2016

 

O deputado federal João Daniel (PT/SE) fez uma avaliação do retrocesso que o Brasil está vivendo nos últimos dias, a partir das medidas tomadas pelo governo provisório de Michel Temer. As áreas social e dos direitos dos trabalhadores foram as atacadas inicialmente, destacou o parlamentar. Em pronunciamento na sessão desta terça-feira, dia 17, na Câmara, João Daniel referiu-se às palavras do embaixador Paulo Sérgio Pinheiro, hoje integrante de um grupo de consultoria da Organização das Nações Unidas (ONU), quando faz uma reflexão sobre o atual momento no país.

 

Segundo o deputado, Pinheiro destacou que em seu primeiro dia no governo provisório Temer, que chegou ao poder montado em uma conspiração do que há de mais atrasado na vida política nacional, em um único ato mandou para o andar de baixo os direitos humanos, as mulheres, a cultura e a Ciência.  “Vejo com muita tristeza esse momento, mas, ao mesmo tempo, de cabeça erguida, para que todos continuem firmes e fortes, em especial as centrais sindicais combativas e a Frente Brasil Popular. Firmes e fortes na luta pela democracia e por um governo legítimo, que é o governo da presidenta Dilma Rousseff”, afirmou.

 

João Daniel indagou que gestos mais simbólicos poderia se esperar de um presidente que chega ao poder envolvido em manobras tão obscuras, ancorado por uma elite tão pouco representativa da sociedade brasileira. O deputado ressaltou que as palavras de Paulo Sérgio Pinheiro vêm de uma voz insuspeita, uma vez que ele já foi ministro da Secretaria dos Direitos Humanos do Governo Fernando Henrique Cardoso e hoje faz consultoria para ONU, sendo um defensor dos direitos humanos reconhecido mundialmente e também é membro da Comissão da Verdade.

 

O deputado lamentou que os Ministérios que tinham uma maior relação com os movimentos sociais e com o povo tenham sido extintos ou unificados a áreas que não têm a ver com as suas finalidades. Para ele, juntar Educação e Cultura é retroagir aos tempos da ditadura. “Pensar que as ações que envolvem mulheres, índios, quilombolas e outras minorias não envolvem preocupações específicas da luta de inclusão social é desconsiderar todo o avanço da sociedade brasileira ocorrido nos últimos anos.

Extinguir o Ministério do Desenvolvimento Agrário e levar as suas funções para a área social é desconhecer o potencial da agricultura familiar e da sua importância para a economia brasileira”, frisou.

 

Para ele, seguir a receita neoliberal do estado mínimo, onde deve-se tratar de forma não prioritárias as demandas dos oprimidos e as políticas de redução das desigualdades sociais e regionais, é buscar fazer um governo que atenda somente as demandas da elite brasileira. “Pensar que os atos dos movimentos que lutam por reforma agrária e por habitação popular, a partir de suas reivindicações e contestações, devem ser enquadrados como terroristas, é voltar aos temos mais duros da ditadura civil militar que durou cerca de 20 anos no Brasil”, observou João Daniel, ao demonstrar preocupação com as declarações do ministro provisório da Justiça nesse sentido.

 

João Daniel ressaltou que a população que não reconhece esse governo continuará nas ruas. “Lutaremos para a retomada do processo democrático constitucional que tanto lutamos para consolidar e que esperamos que retome o seu caminho normal e que não tenhamos mais colégio eleitoral elegendo os nossos presidentes. Vamos à luta, vamos às ruas, com o povo em defesa de nosso estado democrático”, declarou.

 

Por Edjane Oliveira, da Assessoria de Imprensa