João Daniel lamenta assassinato de jovem indígena Guarani-Kaiowá


Aracaju, 15 de junho de 2016

 

Foto: Márcio Garcez

O deputado federal João Daniel (PT/SE) usou a tribuna da Câmara dos Deputados, na sessão desta quarta-feira, dia 15, para lamentar o assassinato de mais um indígena no país. Ontem, foi morto o jovem Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza Guarani-Kaiowá, 26 anos, após uma ação paramilitar realizada por fazendeiros contra famílias do povo Guarani-Kaiowá, do tekohá Tey Jusu, na região de Caarapó, no estado do Mato Grosso do Sul. Pelo menos outras seis pessoas ficaram feridas com os tiros desferidos, inclusive uma criança de 12 anos.

 

Em seu discurso, o parlamentar registrou a nota emitida sobre o massacre pelo Conselho Missionário Indigenista (Cimi). João Daniel parabenizou o trabalho realizado pela entidade, que não se cansa de fazer denúncia e defender os povos originários do país. “Esta é uma dívida do povo brasileiro, uma dívida deste Congresso: demarcar, reconhecer e respeitar o direito dos povos indígenas.

 

Indígena ferido Foto: CIMI

Na nota registrada pelo deputado João Daniel, o Cimi denuncia e repudia a ação paramilitar realizada por fazendeiros contra famílias do povo Guarani-Kaiowá, do tekohá Tey Jusu, na região de Caarapó, no estado do Mato Grosso do Sul, nesta terça-feira, deixando um indígena morto e outros feridos.

 

O documento ressalta a preocupação com ações paraestatais realizadas por setores do agronegócio que têm sido recorrentes no Mato Grosso do Sul. Segundo ele, “desde agosto de 2015, quando foi assassinado o líder Simeão Vilhalva, no tekohá Nhenderú Marangatu, foram registrados mais de 25 ataques paramilitares contra comunidades do povo Guarani-Kaiowá no estado. Demonstrando profundo desrespeito ao Estado de Direito e agindo na completa impunidade, latifundiários têm optado pela prática corriqueira da “injustiça pelas próprias mãos” no estado”.

 

Segue a nota: “Consideramos que a atuação de parlamentares ruralistas na tentativa de aprovar proposições legislativas, como a PEC 215/00, e no âmbito de Comissões Parlamentares de Inquérito, como a CPI do Cimi e a CPI da Funai/Incra, contribuem para aprofundar o sentimento de ódio aos indígenas, agravando ainda mais a situação de violência contra os povos originários no Brasil e, de modo especial, no Mato Grosso do Sul”.

 

O Cimi solidariza-se com os Guarani-Kaiowá, especialmente com os familiares da liderança assassinada e dos feridos, e exige que o Ministério da Justiça tome providências imediatas e efetivas a fim de fazer cessar os ataques paramilitares contra comunidades indígenas no Mato Grosso do Sul, bem como, para identificar e punir os assassinos de mais uma liderança indígena daquele estado.

 

Confira nota na íntegra:

 

Nota do Cimi sobre o Massacre de Caarapó e o assassinato do Guarani e Kaiowá Clodiodi de Souza

 

O Conselho Indigenista Missionário – Cimi denuncia e repudia a ação paramilitar realizada por fazendeiros contra famílias do povo Guarani-Kaiowá, do tekohá Tey Jusu, na região de Caarapó, no estado do Mato Grosso do Sul, nesta terça-feira, 14, que resultou no assassinato do jovem Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza Guarani-Kaiowá, 26, além de ao menos seis feridos à bala, inclusive uma criança de doze anos baleada no abdômen.

 

Constatamos, com preocupação, que ações paraestatais realizadas por setores do agronegócio têm sido recorrentes no Mato Grosso do Sul. Desde agosto de 2015, quando foi assassinado o líder Simeão Vilhalva, no tekohá Nhenderú Marangatu, foram registrados mais de 25 ataques paramilitares contra comunidades do povo Guarani-Kaiowá no estado. Demonstrando profundo desrespeito ao Estado de Direito e agindo na completa impunidade, latifundiários têm optado pela prática corriqueira da “injustiça pelas próprias mãos” no estado.

 

Consideramos que a atuação de parlamentares ruralistas na tentativa de aprovar proposições legislativas, como a PEC 215/00, e no âmbito de Comissões Parlamentares de Inquérito, como a CPI do Cimi e a CPI da Funai/Incra, contribuem para aprofundar o sentimento de ódio aos indígenas, agravando ainda mais a situação de violência contra os povos originários no Brasil e, de modo especial, no Mato Grosso do Sul.

 

O Cimi solidariza-se com os Guarani-Kaiowá, especialmente com os familiares da liderança assassinada e dos feridos, e exige que o Ministério da Justiça tome providências imediatas e efetivas a fim de fazer cessar os ataques paramilitares contra comunidades indígenas no Mato Grosso do Sul, bem como, para identificar e punir os assassinos de mais uma liderança indígena daquele estado.

 

Causa vergonha nacional e internacional ao Brasil o fato de setores do agronegócio exportador de commodities agrícolas continuar assassinando líderes de povos originários de nosso país.

O genocídio Guarani-Kaiowá avança pelas mãos do agrocrime no Mato Grosso do Sul.

 

Brasília, 14 de junho de 2016

Conselho Indigenista Missionário – Cimi

 

Por Edjane Oliveira, da Assessoria de Imprensa