Pedido de impeachment de Temer tem como objetivo manter a democracia, diz João Daniel


Aracaju, 08 de dezembro de 2016

 

Alexandre Conceição, da direção do MST, assina pedido de impeachment de Michel Temer

O deputado federal João Daniel (PT/SE) declarou apoio ao pedido de impeachment contra o presidente ilegítimo Michel Temer, protocolado nesta quinta-feira, dia 8, por juristas e representantes de importantes movimentos sociais na Câmara dos Deputados. O principal argumento do pedido é o crime de responsabilidade cometido por Temer, ao não tomar as medidas necessárias enquanto presidente, no episódio envolvendo o então ministro Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo, e o seu colega da pasta da Cultura, Marcelo Calero, para que esse agisse em favor de interesses pessoais de Geddel. Para a retomada da democracia no país, o deputado defende a realização de eleições diretas para presidente.

 

Para João Daniel, o pedido de impeachment está legalmente coberto, diante da gravidade dos fatos do governo Michel Temer. “Este governo nasceu sem nenhuma legalidade. Nós apoiamos essa ação importante de juristas nacionalistas, brasileiros corretos, que têm como objetivo manter a democracia, que é parte da história e da luta do povo brasileiro, em especial, da classe trabalhadora e de todos os homens e mulheres que lutaram e deram a vida para que este Congresso fosse aberto e fosse livre para falar e denunciar, como fazem as ruas em todos os cantos deste País”. O parlamentar acrescentou que espera que a Câmara e o Senado analisem e tomem as devidas providências baseadas, sim, na questão legal. “É nisso que acreditamos e pelo que lutamos”.
Ele lembrou que um dos motivos que levaram a presidenta Dilma Rousseff a ser retirada à força do governo, desrespeitando os 54 milhões de votos recebidos nas urnas, era o combate à corrupção. No entanto, destacou João Daniel, não se viu nos jornais e em lugar nenhum, as contas da presidenta Dilma nem seu nome citado entre os delatores ou doações para a pessoa da presidenta. “Portanto, cai por terra todo e qualquer argumento que tinha a ver com combate à corrupção. Pelo contrário, o que ela fez até o último momento, como presidenta da República, foi dizer, com toda a firmeza de mulher guerreira, que nenhuma denúncia no seu Governo passaria isenta pelas apurações dos órgãos de controle, da Polícia Federal e de todos aqueles que tivessem direito e interesse de verificar”, disse.

 

Medidas prejudiciais

Segundo o deputado, como desdobramentos desse golpe, o que se observa, a cada semana, é uma nova medida para prejudicar os brasileiros. Entre elas, João Daniel citou a quebra da partilha do pré-sal, retirando da Petrobras a exclusividade na exploração e colocando à disposição do capital internacional e das grandes multinacionais. Como outra medida ele citou a reforma do Ensino Médio, sem que para isso tenham sido ouvidos educadores e jovens. Pelo contrário, o que houve foi ignorância e repressão às ocupações realizadas por estudantes em todo país. Na avaliação do parlamentar há um grande interesse do mercado no enfraquecimento de setores como a educação e saúde para que as pessoas possam aderir às instituições privadas.
“E agora acaba de chegar a esta Casa a Reforma da Previdência. E já vemos o relator, antes de recebê-la, pronunciando-se favoravelmente, porque, provavelmente, já foi amarrado com a grande bancada que tem interesse no fim da Previdência pública”, disse. João Daniel lembrou que a Previdência foi criada, com muito esforço, por todos os trabalhadores e trabalhadoras. Para ele, essa proposta de reforma é uma ameaça real para a classe trabalhadora do campo e da cidade em nosso País. Diante do que foi apresentado, o deputado alertou que querem retirar o direito à aposentadoria das mulheres trabalhadoras rurais, prejudicando o seu acesso. “O fim da Previdência interessa para que a sociedade brasileira apoie e crie a Previdência privada”, destacou.

 

No entendimento de João Daniel, com essas medidas o governo Temer mostra a que veio. Ele ressaltou que os que eram contra a saída da presidenta Dilma alertavam a sociedade antes do golpe que a questão não era retirar a presidenta, mas que o que os defensores disso queriam era fazer com que o Brasil voltasse ao tempo em que o andar de cima impunha ao debaixo para atender as necessidades do mercado, do sistema financeiro e da burguesia nacional e internacional.

 

Ele acrescentou que a preocupação da bancada do PT e de todos os movimentos sociais e populares é com os rumos do país, que vinha nos últimos anos distribuindo riquezas e dando esperança de vida às pessoas mais pobres. “Agora a sociedade começa a enxergar uma situação de crescimento da violência, do desemprego, da miséria, das incertezas. Encaminha-se para aquilo que já é notícia: os ricos estão cada vez mais ricos, e os pobres estão cada vez mais pobres”, finalizou João Daniel.

 

Foto: Márcio Garcez