João Daniel demonstra preocupação com o uso excessivo de agrotóxicos e parabeniza Aease por discutir tema


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A elevada utilização de agrotóxicos na lavoura sergipana levou o deputado João Daniel a externar sua preocupação com os efeitos desse uso desordenado. O parlamentar, em seu pronunciamento feito durante a sessão desta terça-feira, dia 24, na Assembleia Legislativa, destacou a matéria publicada na edição de hoje do Jornal da Cidade que mostra que produtos agrícolas recebem 15 mil toneladas de pesticida. Essa é a quantidade de agrotóxico, segundo a reportagem, que é utilizada anualmente em Sergipe, o que corresponde a 2% dos produtos colocados nas lavouras de todo país a cada ano.

 

Este será o foco do I Encontro Regional dos Engenheiros Agrônomos do Nordeste, que acontece no Estado a partir de hoje. O tema debatido até a quinta-feira é “Agrotóxico, segurança alimentar e saúde”. “Quero parabenizar o jornal por esta matéria interessante, pois nem sempre esse tema é coberto desta forma. E também parabenizar a Aease [Associação dos Engenheiros Agrônomos de Sergipe] por este encontro que tratará de um tema que está sendo tão debatido no mundo inteiro que são os agrotóxicos. Por isso, em nome do seu presidente, Naum de Araújo, queria deixar registrada nossa saudação”.

 

O deputado João Daniel informou que existe na Casa um projeto de lei de sua autoria, o PL 122/2012, que trata sobre os agrotóxicos. “Queremos ver a possibilidade de discutir e colocar para tramitar na Assembleia esse projeto, que vem sendo debatido em todo mundo”, declarou.

 

Audiência pública

 

Ele acrescentou que já está marcada uma audiência pública, na Assembleia Legislativa, no dia 29 de outubro, a partir das 14 horas, com a participação de técnicos, agrônomos e movimentos sociais. Em pauta, a utilização dos agrotóxicos. Um dos convidados é o estudioso do tema e chefe do Departamento de Saúde da Universidade de Brasília (UnB), Fernando Ferreira Carneiro, que tem atuação reconhecida nessa área e integra grupos de estudos da Fiocruz e Ministério da Saúde. “Será uma grande audiência pública para tratar desse tema que tem sido muito discutido no Brasil, pois é um problema muito grave o que vem ocorrendo”, ressaltou.

 

Durante seu discurso, o deputado João Daniel relatou alguns dados alarmantes sobre o uso de agrotóxicos no país, listados na matéria do JC. Um deles é que o Brasil é o primeiro consumidor mundial de agrotóxicos e a tendência é crescer esse consumo para se aumentar o número de alimentos para os brasileiros. Já dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontam que o crescimento do consumo de agrotóxicos no mundo aumentou quase 100%, entre os anos de 2000 a 2009. No Brasil, esse crescimento chegou a quase 200%, quando considerados o montante de recursos dispendidos.

 

Perigos

 

O parlamentar alertou que a situação dos agrotóxicos no Brasil é grave e já existe comprovação de organismos como Fiocruz, Ministério da Saúde e estudos de universidades de que grande parte dos casos de câncer que acontecem no Brasil tem a ver com agrotóxicos consumidos por esses pacientes. “Existe uma rede forte na área de agroecologia, mas se não tiver apoio para esse tipo de produção continuarão as grandes multinacionais a atuar”, disse.

 

João Daniel acrescentou que as mesmas empresas que produzem os agrotóxicos produzem também os remédios para vender mais tanto agrotóxico quanto remédio e assim ganhar dinheiro. “Essa é a política mundial do sistema capitalista, das grandes corporações. A questão é vender, ter lucro e quanto mais veneno, mais remédio vende e mais dinheiro faz”, lamentou. Para ele, o Brasil precisa discutir essa questão, porque o país está fora de qualquer padrão internacional. “Qualquer loja no interior vende agrotóxico sem nenhum receituário, qualquer tipo de veneno, sem critério. É um absurdo e tem que ser tomada providência pelo governo federal e órgão de vigilância sobre esse grave problema”, disse, acrescentando que os agrônomos têm papel fundamental nesse processo.

 

Apartes

 

A deputada Ana Lúcia (PT) parabenizou João Daniel pelo pronunciamento e também os agrônomos que estão tematizando essa questão tão grave para a população. Ela disse que muitas pessoas nas áreas rurais estão passando mal por conta do veneno que é pulverizado nas plantações. Ela sugeriu que juntos pudessem ver um requerimento pedindo à Secretaria de Estado da Saúde (SES) que, através da Vigilância Sanitária a realização de uma pesquisa, através de médicos da família e agentes de saúde, para quantificar isso, principalmente nos municípios que têm uso abusivo desses elementos tóxicos. Essa Casa precisa aprofundar mais o debate da qualidade de vida do sergipano”, declarou.

 

O deputado João Daniel acrescentou que na semana passada teve uma reunião no município de Japaratuba e a comunidade do Assentamento 13 de Maio, que no passado chegou a produzir mais de 10 mil quilos de mel, no ano passado não produziu nada. “As caixas estão vazias, as abelhas foram mortas pela pulverização agrícola pelos aviões das empresas que plantam cana”, disse.

 

Maria Mendonça foi outra deputada a apartear o pronunciamento. Ela disse que é muito importante trabalhar essa temática e que é de conhecimento o elevado índice de pessoas com câncer voltado para essa questão dos agrotóxicos. “Sabemos o quanto os agrotóxicos são prejudiciais à nossa sociedade e esta é uma luta que deve ser encampada por todos. Parabéns ao deputado João Daniel por defender sempre essa questão e valorizar a retirada do veneno das plantações, pois isso mata e deixa sequelas”, afirmou.

 

O deputado Antônio dos Santos também aparteou e revelou que os países que se preocupam com a saúde de seu povo interrompe a importação de produtos brasileiros, para não levá-los contaminados. “A mesma exigência deve acontece no Brasil. Infelizmente, a ganância e a vontade de produzir mais a um custo menor leva empresários a fazer isso e causa danos irreparáveis à saúde da população. É preciso que o Estado tome uma posição para impedir que os males aconteçam”, frisou.

 

Ao concluir seu pronunciamento, o deputado João Daniel ressaltou que é interessante que o projeto 122/2012 que tramita na casa seja debatido e aprovado. Ele também destacou a atuação das empresas públicas em Sergipe, como a Embrapa e Emdagro que têm uma visão comprometida com o meio ambiente e contrário ao uso de agrotóxicos, além dos movimentos sociais, como MST e Fetase, que lutam para que isso aconteça. “E que o governo faça a regulamentação do projeto já aprovado por esta Casa, que implementa uma política de agroecologia para Sergipe”.