João Daniel apela por municípios sergipanos que sofrem com a estiagem


 

Aracaju, 14 de agosto de 2018

 

 

Em uso da tribuna no plenário da Câmara Federal, na noite dessa segunda-feira, dia 13, o deputado federal João Lula Daniel (PT) registrou sua preocupação com a situação dos municípios do semiárido sergipano que sofrem com a falta de chuva. Devido ao período de estiagem, 15 cidades já tiveram a situação de emergência decretada pelas prefeituras ou reconhecida pelo governo federal. Sergipe já tinha enfrentado uma seca grave em 2016, quando mais de 20 cidades decretaram estado de emergência.

 

Os reflexos começam a serem sentidos no campo. Já começa a faltar água e alimentação para os animais. Quase toda a produção de milho e feijão prevista para este ano foi comprometida, afetando parte da produção de carne, leite e derivados. Estima-se que o prejuízo causado pode passar de R$ 200 milhões, apenas com o que deixou de circular na economia sergipana, além de R$ 78 milhões de prejuízos diretos. Com a situação, os produtores rurais não têm alternativa senão buscar crédito junto aos bancos para tentar alimentar o gado e diminuir os prejuízos.

 

“Estive na região de Simão Dias e conversei com agricultores e agricultoras assentados, agricultores familiares, técnicos agrônomos. Nunca se viu, talvez nos últimos 20 anos, uma perda total da safra, de toda a produção agrícola naquela região. Desde Tobias Barreto até o município de Canindé, a região do Alto Sertão, a região do Sertão Ocidental. Está ameaçada a nossa bacia leiteira do Alto Sertão — Nossa Senhora da Glória, Monte Alegre, Porto da Folha, Canindé, Poço Redondo, Gararu. E nós ainda estamos diante de um período que não seria o fim da safra do nosso calendário agrícola de 2018”, relatou João Daniel.

 

Ele lembrou que o Governo do Estado já fez reunião com todos os secretários de Agricultura dos municípios e a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) está com todos os laudos prontos. Porém, segundo o deputado, há falta de assistência por parte do governo federal. “Nós estamos muito preocupados, porque o governo acaba com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA); está enfraquecida a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab); e nós não ouvimos uma voz do governo federal sobre essa situação da seca. Já são duas safras sem nenhuma assistência técnica, com recurso em conta. É um governo que virou as costas para o Nordeste, virou as costas para o Semiárido, e é muito grave a situação, em especial a da região do Alto Sertão sergipano e do Sertão Ocidental”, disse o deputado.

 

De acordo com a Defesa Civil Estadual, que monitora a situação, a meteorologia prevê que a estiagem deve continuar no segundo semestre em Sergipe e a falta de chuvas poderá se estender sensivelmente em todo o semiárido brasileiro, o que deve aumentar ainda mais os prejuízos. “Por isso, fazemos um apelo para que o governo federal aja enquanto é tempo e com urgência”, concluiu.

 

Foto: Marcio Garcez/Arquivo