João Daniel alerta para os riscos da exposição aos agrotóxicos e os impactos disso


Aracaju, 06 de agosto de 2015

 

O deputado federal João Daniel (PT) voltou a alertar para o risco do uso excessivo e indiscriminado dos agrotóxicos e os efeitos dessa exposição, especialmente às pessoas que fazem a aplicação. Na sessão desta quinta-feira, dia 6, da Câmara dos Deputados, o parlamentar repercutiu o artigo “Agrotóxicos: quem deve decidir seu uso?”, de autoria do procurador do Trabalho em Mato Grosso, Leomar Daroncho, publicado na revista Carta Maior.

 

No texto, o procurador observa que há farta produção científica e acadêmica indicando a correlação entre a exposição a agrotóxicos e o surgimento de doenças crônicas, além das consequências para a saúde pública. Diante disso, ele entende que o tema deve ser enfrentado imediatamente. Desde quando era deputado estadual, João Daniel sempre levantou a discussão acerca da necessidade de que providências efetivas sejam adotadas para evitar a utilização desenfreada de veneno nas lavouras.

 

Um de seus projetos foi justamente a proibição da pulverização aérea, tendo em vista os danos que ela causa não só às plantações que seriam alvo da aplicação, mas também às lavouras vizinhas, bem como a contaminação que provocam aos ecossistemas do local, pois atingem grandes extensões de terra. Já deputado federal, João Daniel apresentou o projeto de lei 1.014/2015, que dispõe sobre a proibição da pulverização aérea de agrotóxicos em todo território brasileiro.

 

No artigo citado pelo deputado em seu discurso, o autor relata que “há farta produção científica e acadêmica indicando a correlação entre a exposição a agrotóxicos e o surgimento ou elevação dos índices de doenças crônicas. É assustadora a projeção de 500 mil novos casos anuais de câncer no Brasil, sendo o contato com agentes cancerígenos importante fator do agravamento dos números. No início de 2015, o Instituto Nacional do Câncer – INCA publicou um alerta indicando os malefícios do uso intensivo de agrotóxicos”.

 

Em outro trecho, o procurador do Trabalho ressalta que o Brasil detém, desde 2009, o indesejável título de maior consumidor de agrotóxicos do mundo, com o índice de 5,3 litros por habitante/ano. “Mato Grosso, por sua vez, é o principal consumidor dentre os estados brasileiros: o índice é de 45 litros por habitante/ano. Em algumas regiões de nosso estado, esse número se aproxima do consumo anual de 400 litros por habitante”, diz ele no artigo. “Realmente esse é um dado alarmante e que requer que sejam adotadas providências urgentes sobre a utilização desse tipo de produto no Brasil”, observou o deputado João Daniel.

 

O autor também externa sua preocupação com a pulverização aérea e a isenção de impostos à indústria dos agrotóxicos. “Essa técnica, por vezes utilizando agrotóxicos já proibidos em outros países, ocasiona a dispersão de substâncias tóxicas pelo ambiente, contaminando amplas áreas e atingindo populações indefesas, inclusive urbanas. Também chama a atenção a isenção de impostos que o país continua a conceder à indústria produtora de agrotóxicos, um grande incentivo ao seu fortalecimento, que vai na contramão das medidas protetivas adotadas por outros países.”

 

Por Edjane Oliveira, da Assessoria de Imprensa

Foto: EBC