Importância do incentivo ao futebol de várzea e amador é debatida em mesa-redonda


 

Aracaju, 22 de setembro de 2018

 

 

Um pontapé nesse longo caminho de debater e construir possibilidades e parcerias para encaminhar e fortalecer a prática do futebol de várzea e amador. Foi dessa forma que Gerfferson dos Santos, o Mano Sinho, presidente do Aliados Futebol Clube, classificou a mesa-redonda realizada nessa sexta-feira, dia 22, para debater o futebol amador e de várzea como ferramenta de inclusão social de adolescentes e jovens de comunidades carentes. Analogia parecida à feita pelo ex-árbitro de futebol Sidrack Marinho, hoje diretor da Arena Batistão, sobre o evento, ao qual definiu como um gol, marcado no primeiro minuto de um jogo importante. A mesa-redonda, realizada no plenário da Assembleia Legislativa de Sergipe, na manhã dessa sexta-feira, dia 22, contou com a participação do deputado federal e ex-presidente do Corinthians paulista, Andrés Sanches (PT/SP), um dos autores do requerimento à Comissão de Esporte da Câmara dos Deputados, juntamente com o deputado João Daniel (PT/SE), para a realização desse debate.

 

A mesa-redonda reuniu representantes das Secretarias Estadual e municipais de Esporte, de escolinhas de futebol, vindos de vários municípios, como Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, Indiaroba, Propriá, Riachuelo e Tobias Barreto, além de pessoas que trabalham com futebol amador e de várzea em Sergipe, jogadores de escolinhas e ex-jogadores. Entre os presentes, o secretário estadual de Esporte, Antônio Hora Filho; o secretário de Esporte e Juventude de Aracaju, Jorginho Araújo; e de Socorro, Francisco Carlos; Diogo Andrade, diretor Técnico da Federação Sergipana de Futebol, representando o presidente Milton Dantas; o representante da Diretoria de Educação Física da Secretaria de Estado da Educação, Gladston de Menezes; entre outros.

 

O deputado federal João Daniel destacou a importância de todos que participaram da mesa-redonda, diante da necessidade de se discutir de que forma incentivar e apoiar as iniciativas que já são realizadas nas periferias das cidades e em comunidades do interior do estado, para, através do futebol, incluir crianças, adolescentes e jovens. “Vamos apoiar e buscar fazer isso também a partir de emendas impositivas de bancada. A bancada pode discutir emendas que façam a maior obra que é a obra social, para que nossa população seja beneficiada com áreas para a prática de esporte, de lazer, cultura e educação”, disse. O parlamentar se dispôs a apoiar e outros municípios e bairros da capital que queiram promover uma atividade semelhante para discutir essa questão. “Estamos aqui para contribuir”, ressaltou.

 

Inclusão

Conhecedor do futebol, o deputado Andrés Sanchez disse que entende que o futebol de várzea é a grande ferramenta de inclusão social. “Temos que fortalecer o futebol de várzea, porque se queremos incluir socialmente é através dele. Não é no futebol amador, não é nas categorias de base dos clubes. Se queremos fazer cidadãos nesse país, através do futebol, é via várzea. Fora isso, estamos arriscando muito e perdendo muita gente”, disse. O deputado, com a experiência de ex-dirigente de futebol e diretor de categorias de base, revelou que, embora muito almejada por muitos adolescentes, dos garotos que chegam às categorias de base dos clubes, apenas 10% sairão jogadores profissionais. Por isso, disse ele, é fundamental que eles continuem estudando, investindo na sua formação.

 

Segundo Sanchez, essa é uma discussão muito importante e que precisa ser feita em todo país. Sergipe está de parabéns por essa iniciativa do deputado João Daniel, apoiada pelo Fábio Mitidieri, mas temos que espalhar essa discussão por todo país, estender por Sergipe. O futebol bem feito é barato e tira as crianças do caminho das drogas e da criminalidade ou pelo menos evita que entre nisso. Precisamos trazer o jovem para praticar o esporte, porque é um grande passo para incluir esse garoto na sociedade”, disse.

 

Dificuldades

No relato dos que há anos vêm promovendo o futebol de várzea, seja em Aracaju ou nos municípios do interior, as dificuldades apresentadas foram praticamente as mesas: o crescimento das construções que avançam sobre os espaços que antes serviam como campinho para que jovens e adultos praticassem seu futebol. Além disso, as dificuldades financeiras que enfrentam para organizar os times, pouco incentivo e apoio que recebem.

 

Trabalhando diariamente, mesmo com todas as dificuldades encontradas, para acolher e incluir adolescentes e jovens do Coqueiral, em Aracaju, Mano Sinho fez um relato, durante a mesa-redonda, dos percalços para fazer o futebol de várzea sobreviver naquela comunidade. Nascido na periferia, ele era um dos milhares de jovens que vivem o sonho de se tornar um jogador de futebol, hoje atua como incentivador, trabalhando para que outros garotos vivenciem esse sonho.

 

Em sua fala, Sinho relatou problemas enfrentados, como o fim de espaços para que os jovens possam jogar seu futebol. Segundo ele, há dez anos o bairro Porto D’Anta, na zona norte de Aracaju, tinha seis campos, que se acabaram com o tempo. O avanço das construções foi um dos motivos para isso. Foi o que recentemente aconteceu depois da construção do conjunto residencial José Eduardo Dutra. Quase 600 novas famílias chegaram, aumentando a demanda por espaços, mas só há uma quadra, denominada a praça do bairro. Hoje eles utilizam espaços improvisados, como viveiros desativados, e seguem jogando, alguns dias disputando espaço com a água da maré e das chuvas.

 

Por conta disso, ele falou da necessidade de existirem campos acessíveis a todos, pois atualmente o número existente é aquém da necessidade. Sinho também ressaltou a importância de o poder público desenvolver ações que fortaleçam a prática do futebol de várzea. Ele também relatou a experiência de competições que tem desenvolvido, mesmo com as dificuldades que tem enfrentado, como a 1ª Copa Coqueiral e o 1º Campeonato Aracaju x Socorro de Futebol Amador. “Precisamos um pouco mais nas periferias”, ressaltou.

 

O secretário estadual de Esporte, Antônio Hora Filho, parabenizou o deputado João Daniel pela iniciativa em debater um tema tão importante como esse, o que demonstra seu compromisso com a sociedade, não só pelo trabalhador, mas para com o cidadão, e ressaltou a importância de isso estar sendo discutido na Casa do povo. Ele falou das realizações da Secretaria para incentivar o futebol amador, com os campeonatos que tem promovido e o projeto do governo do Estado em lançar um grande campeonato. Ele informou que, por iniciativa do deputado João Daniel, que inclusive já colocou uma emenda impositiva para o próximo ano, será realizado o primeiro campeonato de futebol amador das áreas de ocupação.

 

O secretário lançou o desafio aos parlamentares para a elaboração de leis que garantam que em novos empreendimentos residenciais sejam construídas áreas para a prática esportiva. Proposta no mesmo sentido também foi feita pelo representante da Seed, Gladston de Menezes. Para ele, a mesa-redonda cumpriu seu papel e ressaltou a importância dela sair com propostas. Antônio Hora se comprometeu em elaborar um relatório minucioso de tudo que foi posto pelos participantes relacionado ao futebol amador, de várzea e as escolinhas, para que isso possa nortear os próximos passos da secretaria, em cima das demandas apresentadas.

 

Já o secretário de Esportes de Aracaju, Jorginho Filho, destacou a importância do debate e aproveitou para destacar as ações da pasta na capital, os campos de uso público mantidos por ela, além das competições que tem apoiado. “Não é o ideal ainda, mas a cada ano vamos, sim, tentar melhorar, fortalecer e resgatar torneios entre bairros, aproveitar a sugestão de Sinho da divisão por regiões”, disse, ao parabenizar os deputados federais pela iniciativa.

 

Por Edjane Oliveira, da Assessoria de Imprensa 

Fotos: Márcio Garcez