Entrevista concedida pelo deputado João Daniel ao Correio de Sergipe


“Queremos mobilizações justas e pacíficas”

João Daniel avalia momento como importante em que a juventude vai à rua para cobrar e protestar

O Boletim Eletrônico do mandato do deputado João Daniel (PT) traz hoje a íntegra da entrevista concedida pelo parlamentar ao jornal Correio de Sergipe, na edição do último dia 7 de julho de 2013.

CORREIO DE SERGIPE: O Brasil, e Sergipe também, tem vivido um momento importante na sua história política e social? Como deputado ligado aos movimentos sociais, como o senhor tem acompanhado as mobilizações que têm ocorrido?

JOÃO DANIEL: Nós temos acompanhando e analisando o movimento reivindicatório que ganhou as ruas de várias capitais e grandes cidades do país e Sergipe também nas últimas semanas. Entendo como uma boa iniciativa essa reivindicação dos movimentos, especialmente da juventude. E o grande papel da militância e partidos de esquerda é estar junto e acompanhar, pois as grandes mudanças surgiram das grandes mobilizações. Temos visto que a grande questão que tem sido levantada e debatida neste momento é o grave problema vivido nos centros urbanos. Hoje, uma parte da população trabalhadora, principalmente os que mais utilizam o transporte público, acaba passando de 10% a 15% de sua vida dentro dos ônibus e transporte urbano. É preciso oferecer um transporte de qualidade. Este é um momento importante em que a juventude e a população em geral vão à rua para cobrar e protestar. Apesar dos grandes avanços obtidos nos oito anos de Governo Lula e nos dois e meio de Dilma Rousseff, importantes mudanças estruturais no país ainda não foram feitas e hoje as manifestações chamam a atenção para elas. Mas essas manifestações também reivindicam outros pontos importantes. Apenas não concordamos com quebradeira, com violência. Queremos mobilizações justas e pacíficas.

 

CS: Em nível nacional, as centrais sindicais definiram uma plataforma unitária de reivindicação que deve nortear a greve geral que deve acontecer no próximo dia 11. De que ela trata e como o senhor vê essa greve?

JD: No último dia 25 houve um grande debate de conjuntura sobre o que está acontecendo no país nesse momento e qual é a avaliação e qual será o procedimento das organizações, principalmente as ligadas à Via Campesina. Nela foram definidos 11 pontos que constituem uma plataforma unitária de luta de todas as centrais sindicais. O ponto principal é quanto à destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação. Também faz parte a cobrança de mais investimentos para a Saúde, conforme prevê a Constituição, melhoria do Sistema Único de Saúde (SUS) e apoio à vinda de médicos de Cuba e de outros países, para regiões onde não há profissionais. O terceiro é a redução da jornada de trabalho para 40 horas. A pauta também tem transporte público de qualidade e a luta contra a PEC 4330, que trata da terceirização, porque ela rasga a CLT e institucionaliza o trabalho terceirizado; posicionamento contrário aos leilões do petróleo. As centrais também cobram reforma agrária, com tudo que significa solução dos problemas dos acampados; fim do fator previdenciário, a reforma política e realização de plebiscito popular, reforma urbana e democratização dos meios de comunicação. Vemos essa greve geral marcada para o dia 11 como muito importante para o movimento sindical, popular e estudantil, que vão fazer uma grande mobilização no país inteiro e os trabalhadores rurais também estarão participando do ato deste dia, fazendo 30 minutos de bloqueio nas rodovias do Brasil inteiro. Em Sergipe, além do dia 11, também faremos uma grande mobilização dos trabalhadores rurais no dia 25 de julho, em Aracaju.

 

CS: Além das manifestações, em Sergipe também tem acontecido greves de vários setores, não apenas de servidores públicos, mas também da iniciativa privada. Mesmo estando na base de sustentação do governo, como o senhor avalia esse movimento grevista e reivindicatório dos trabalhadores?

JD: Temos sido solidários aos trabalhadores em greve, tanto do setor público como privado.  Avalio como muito importante essas greves, porque são reivindicações justas e as categorias precisam se mobilizar, sim. Quando se trata de servidores públicos, acho que o governo precisa receber os trabalhadores e atender aquilo que for possível, com muita seriedade e rapidez, para que não prejudique os serviços públicos e o atendimento ao cidadão. E no setor privado temos muitas categorias se mobilizando, a exemplo dos vigilantes e trabalhadores da construção civil, que têm salários muito baixos.

 

CS: O senhor é coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista de Sergipe. Recentemente, foi criado o Grupo de Trabalho de Acompanhamento da Implementação do Código Florestal. Qual será o papel dele?

JD: Será apoiar a implantação de uma política, seja ela municipal, estadual ou federal, na questão ambiental de Sergipe. O Grupo de Trabalho também terá o papel de denunciar os crimes ambientais que ocorrerem no Estado e mobilizar e sensibilizar a sociedade no sentido de ter um compromisso ambiental.

 

CS: Qual a opinião do senhor sobre a proposta de plebiscito para a reforma política?

JD: Somos favoráveis e achamos muito importante todas as iniciativas que envolvam a população brasileira, em especial um grande plebiscito para discutir as questões estruturantes e no caso a reforma política.

 

CS: O Partido dos Trabalhadores se encaminha para a eleição do seu diretório estadual. Já há definição de qual candidato será apoiado pelo deputado João Daniel e sua tendência?

JD: Não. Estamos discutindo, por enquanto. Não temos uma definição ainda de em quem votaremos e como serão os encaminhamentos.

 

Foto: Ronaldo Sales, Assessoria Parlamentar