Dom Helder Câmara: histórico de luta do líder religioso é destacado por João Daniel


Aracaju, 07 de fevereiro de 2018

 

O deputado federal João Daniel (PT), durante expediente na Câmara Federal, nesta quarta-feira, dia 7, fez um registro especial em homenagem ao nascimento daquele que, para ele, representa uma das vozes mais firmes em defesa dos pobres e a mais contundente posição religiosa contra a ditadura militar que se instalou no país. Trata-se de Dom Hélder Câmara, que nesta data, em 1909, nascia em Fortaleza (CE).

 

Considerando o cenário atual de turbulência política, econômica e social no qual o país vive, João Daniel exaltou as atuações de D. Hélder nas lutas contra a violência, a ditadura, as desigualdades sociais, visando uma sociedade justa, igualitária e fraterna. “Neste momento que vivemos no Brasil, temos a certeza de que são homens como Dom Hélder que nos dão a força e a convicção de que vale a pena lutar e acreditar num país decente”, declarou o deputado.

 

Uma das mais marcantes frases já ditas pelo líder religioso – “Quando dou comida aos pobres, chamam-me de santo. Quando pergunto por que eles são pobres, chamam-me de comunista” – foi lembrada por João Daniel em seu pronunciamento. Para ele, o maior compromisso de D. Hélder foi o de aproximar a Igreja Católica dos problemas sociais e econômicos do país. Uma luta diária pela justiça, solidariedade e igualdade entre os povos.

 

Continuando o registro, Daniel disse acreditar que os pensamentos e o histórico de luta de Dom Hélder estão presentes, vivos e fortes na luta e na resistência do povo brasileiro, comparando ao que o ex-presidente Lula enfrenta no momento. “Lula está sendo perseguido, está sendo criminalizado porque colocou a condição de um governo discutir o país para todos os brasileiros e brasileiras. Essa é a grande questão: 200 milhões de brasileiros e brasileiras podem ser felizes, podem ousar sonhar e realizar o seu sonho”, afirmou João Daniel.

 

Dom Hélder e o seu histórico de luta

Ordenado padre aos 22 anos, como educador o Padre Hélder Câmara esteve sempre engajado na luta em defesa da educação pública e na organização social do povo, tendo fundado a Legião Cearense do Trabalho e criado aos 24 anos a Sindicalização Operária Feminina Católica que, em 1931, tinha como objetivo a organização das mulheres que trabalhavam como lavadeiras, passadeiras e empregadas domésticas.

 

Foi um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e grande defensor dos direitos humanos durante a ditadura militar no Brasil. Pregava uma Igreja simples, voltada para os pobres, e a não-violência. Por sua atuação, recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais. Foi o brasileiro por mais vezes indicado ao Prêmio Nobel da Paz, com quatro indicações e também o mais perseguido pelo Regime Militar.

 

Foi ordenado bispo aos 43 anos de idade. Desde 1950 trabalhou junto ao Vaticano, tratando diretamente com o Monsenhor Giovanni Montini, que se tornou o papa Paulo VI. Em 1956, fundou a Cruzada São Sebastião, com a finalidade de dar moradia decente aos favelados. Desta primeira iniciativa, outros conjuntos habitacionais surgiram. Em 1959, fundou o Banco da Providência, cuja atuação se desenvolve no atendimento a pessoas que não tinham opção de comprar sua moradia nos bancos formais.

 

O regime militar, que não engolia D. Hélder, devido às suas posições políticas, articulou para que ele fosse transferido do Rio de Janeiro, sendo designado arcebispo de Olinda e Recife (PE), onde permaneceu na função até 1985 e de onde apoiou a Igreja Católica do Nordeste na construção das Comunidades Eclesiais de Base.

 

Dom Hélder levava uma vida humilde, morava em uma casinha no bairro da Boa Vista, tendo abdicado da vida do Palácio do Bispo, onde trabalhava e nunca se aproveitou de sua posição para promoção pessoal. Recebeu diversos prêmios e sua postura pela paz e justiça foi reconhecida em várias partes do mundo. Foi substituído por um bispo conservador, tornando-se Bispo Emérito de Olinda e Recife, sem perder o seu papel evangelizador, considerando que a graça das graças é de não desistir nunca. Em 27 de agosto de 1999 o líder religioso veio falecer em Recife.

 

Assessoria de Imprensa