Deputado petista lembra os 37 anos da Operação Cajueiro


Dilson Ramos, da Agência Alese (www.agenciaalese.com.br)

O líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa, deputado estadual João Daniel, destacou hoje na tribuna os 37 anos da Operação Cajueiro, que segundo o parlamentar, ainda hoje causa tristeza a todos ‘que não devem deixar de conhecer a história’. “Homens e mulheres foram perseguidos e mortos por lutar pela democracia. O brasileiro precisa ter direito a verdade”, disse. João Daniel disse que muitos companheiros sergipanos têm em sua história a luta por uma sociedade justa e fraterna, pois foram torturados e arbitrariamente violentos em seus direitos. “A operação foi implantada a partir do Golpe Militar pelo Exército. Uma força especial veio da Bahia e prenderam vinte e cinco sergipanos. Dezoito deles foram processados, como o deputado Jackson Barreto e o vereador Jonas Amaral. Alguns não eram do PCB, eram simpatizantes, e mesmo assim foram presos e processados”.

O deputado estadual disse que uma força especial vinda da Bahia, sob as ordens do general Adyr Fiúza de Castro, prendeu de forma arbitrária 25 sergipanos. “Essa força especial reunia elementos do temível DOI-CODI, do DOPS e da Polícia Federal e agiu em Aracaju sob as ordens do tenente-coronel Oscar Silva”, citou João Daniel, destacando artigo do jornalista Marcos Cardoso sobre o assunto. Segundo João Daniel, ainda no período de perseguições, foram assassinados nas celas do DOI-CODI, em São Paulo, o jornalista Wladimir Herzog, em outubro de 1975, e o operário Manuel Fiel Filho, em janeiro de 1976. O deputado disse que o PCB, além de possuir representantes na Assembléia Legislativa, Jackson Barreto, e na Câmara de Vereadores, Jonas Amaral, controlava o Sindicato dos Petroleiros, o Sindicato dos Bancários, alguns centros acadêmicos da UFS e o DCE. Mas lembrou que a maioria dos presos não pertencia ao PCB.
João Daniel citou ainda entre os presos em Sergipe os ex-vereadores Antônio Góis, Marcélio Bonfim e Rosalvo Alexandre, o aposentado da Petrobras, Milton Coelho, que ficou cego, e o advogado Wellington Mangueira. “Muitos têm marcas da tortura, são lembranças que duram a vida inteira. A Operação Cajueiro precisa ser lembrada para jamais volte a acontecer. A Comissão da Verdade que está sendo formada deve trazer à tona muitos casos. Solicito ao governador que oficialize a comissão em Sergipe, escalando seus membros. Parabenizo o Ministério Público Federal e que atue firme e forte em defesa dessa apuração para que possamos saber a verdade dos fatos”, afirmou o deputado.

 


Luta por moradia – Ainda em seu discurso João Daniel parabenizou Dalva e Glória, presentes à sessão, que representavam os trabalhadores urbanos que lutam em defesa das famílias pobres que não têm moradia. “Esse é um direito justo e sagrado. Na Barra dos Coqueiros existe um acampamento de sem tetos com 163 famílias que esperam uma moradia. Faço um apelo ao Poder Judiciário e ao Ministério Público Estadual que olhe com carinho essa situação. A Barra dos Coqueiros está cheia de condomínios, é onde há mais especulação imobiliária, e milhares de famílias não tem moradia”, observou. O deputado disse ainda que muitas áreas de preservação e ate mesmo as mangabeiras, que sustentam muitas famílias, estão sendo devastadas por grandes construtoras. “Peço que seja respeitado o direito à moradia”.