“Aprendendo com o MST” – Informativo do deputado estadual João Daniel


O Movimento dos Sem Terra com suas ocupações, suas brigadas um tanto agressivas exibindo foices e facões, incendiando pneus pelas estradas ou invadindo prédios públicos, é o cenário preferido pela mídia para ser exibido nos seus noticiários, tudo, invariavelmente, acompanhado de comentários negativos sobre as ações de um grupamento de indivíduos agindo à margem das leis. A opinião pública é, assim, diariamente trabalhada para reagir a esses que desrespeitam os fundamentos do Estado Democrático de Direito.

O MST seria então um movimento de usurpadores, de gente desocupada e anárquica, ( antes eram subversivos) que não respeita os sagrados direitos de propriedade . Estariam a perturbar a paz dos que há séculos se apoderaram das terras e das gentes, desde quando a Nação se formava, depois, à sombra do Império cúmplice, da Velha República parceira, indo além, até a revolução de 30, transformando o ímpeto mais atabalhoado do que modernizante dos ¨tenentes ¨ em inação e condescendência. Assim, foram sobrevivendo os ¨coronéis ¨do latifúndio, e do atraso, eternizando-se a pobreza e o desemprego nos campos, onde não chegara a atualidade das leis trabalhistas, os mais comezinhos direitos.
No Engenho Galileia, em Pernambuco, formou-se o embrião do que seria tocado à frente com o nome de Ligas Camponesas, de Francisco Julião. O golpe de 64, identificou nos esfarrapados camponeses, inimigos perigosos que era preciso esmagar. Formaram-se as milícias   de pistoleiros e agentes da repressão, e surgiu um episódio ainda obscura da nossa História que a Comissão da Verdade precisa desvendar para que surja uma página esclarecedora sobre quem mandou e quem executou camponeses, no Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais, nos massapês do nordeste, onde senhores de engenho se fizeram, mais uma vez, senhores da vida e da morte. Faz 26 anos surgiu em Sergipe o MST. Quem agora fizer uma incursão pela história desse período, vai constatar avanços sociais, transformações econômicas, que desfazem inteiramente aquela imagem que a mídia poderosa inculca na cabeça desavisada das pessoas. Os estudantes, os intelectuais, todos os interessados em modernizar Sergipe, têm muito a aprender com a luta dos Sem Terra.
No Congresso, o vigésimo sexto, realizado semana passada, se fez um balanço das ações , se fez, sobretudo, um elenco de  ações já consolidadas, de projetos em execução ou a executar, sobretudo, daqueles ligados à relação dos assentamentos com o meio ambiente, o combate ao uso indiscriminado dos venenos agrícolas, a recuperação das matas, a preservação das nascentes, a proteção aos rios, a formação de quadros politizados e tecnicamente qualificados, a erradicação do analfabetismo no interior daquilo que os preconceituosos denominam de ¨Quadrado Burro ¨ ,numa alusão desprimorosa à geometria dos assentamentos.
João Daniel, Esmeraldo, Gileno, Careca, Dilma, Vanessa, e tantos outros dirigentes e militantes, deram aulas de organização, de ação política coerente, que deveriam ser analisados com maior atenção pelos doutorados ¨embieis¨, que tratam de mercado, competitividade, políticas corporativas, buscando caminhos para a sobrevivência do capitalismo. Talvez, no MST, eles pudessem encontrar a síntese entre concepções que se chocam, até hoje sem remédio: a do livre mercado fora de controle, e a da estatização que vira as costas para a liberdade de iniciativa .

 

Por Luiz Eduardo Costa/Jornalista